Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, desenvolveram recentemente um novo modelo de “microtecido da medula espinhal”, oferecendo uma nova ferramenta para o desenvolvimento de medicamentos contra a esclerose lateral amiotrófica (ALS). Os resultados, publicados na revista Stem Cell Reports, demonstram o potencial de microtecidos construídos a partir de células-tronco específicas de pacientes para aplicações em triagem de fármacos.
A equipe de pesquisa, liderada por Elisa Giacomelli e pelo Dr. Lorenz Studer, conseguiu simular o ambiente de neuroinflamação presente na medula espinhal de pacientes com ALS ao cocultivar neurônios motores com células imunológicas. Os dados experimentais mostram que os microtecidos derivados de pacientes com ALS secretam mais proteínas inflamatórias do que o grupo controle saudável, além de reproduzir a morte progressiva dos neurônios motores — uma característica patológica típica da doença.
“Esse modelo nos permite recriar in vitro processos patológicos essenciais da ALS”, afirmam os pesquisadores. Utilizando essa plataforma, a equipe triou 190 medicamentos já aprovados pela FDA e identificou classes específicas de fármacos capazes de reduzir eficazmente os níveis de proteínas inflamatórias, diminuindo de forma significativa a morte de neurônios motores.
O estudo representa um avanço duplo para o tratamento da ALS: primeiro, ao estabelecer um modelo experimental capaz de simular a progressão da doença; segundo, ao identificar potenciais candidatos terapêuticos. Os pesquisadores destacam que essa plataforma poderá ser utilizada futuramente em triagens de fármacos em larga escala e em pesquisas de medicina personalizada, acelerando o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para ALS.













