Um estudo conjunto da Universidade Estadual do Oregon e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra que o impacto de sistemas flutuantes de energia solar em ecossistemas de reservatórios varia dependendo das características específicas do corpo d'água. As descobertas, publicadas na revista *Limnology*, revelam a complexa relação entre a produção de energia limpa e o equilíbrio ecológico por meio de análises de simulação de dados de 11 reservatórios. O projeto de energia solar fotovoltaica flutuante (FPV) no reservatório de Canoe Brook, em Nova Jersey, com capacidade instalada de 8,9 megawatts, é o maior projeto FPV dos Estados Unidos.

Os pesquisadores selecionaram 11 reservatórios em seis estados, incluindo Oregon e Ohio, para modelagem e análise. Os sistemas flutuantes de energia solar reduzem continuamente a temperatura da superfície da água e alteram a estrutura térmica de diferentes camadas da água. "Diferentes reservatórios respondem de maneiras diferentes, dependendo de fatores como profundidade da água, hidrodinâmica e espécies de peixes, que são cruciais para a gestão", disse Evan Bradweig, primeiro autor do estudo. "Não existe uma fórmula única para projetar esses sistemas. É ecologia — é complexo." Embora a tecnologia de energia solar flutuante ainda esteja em fase piloto nos Estados Unidos, seu potencial de mercado é significativo. Um estudo do Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA, realizado no início de 2025, indicou que os reservatórios do país têm potencial para gerar 1.476 terawatts-hora de eletricidade anualmente. Esse sistema melhora a eficiência de conversão fotovoltaica em 5% a 15% por meio do resfriamento com água e pode operar em conjunto com usinas hidrelétricas existentes. Bradweig enfatizou: "Compreender a variabilidade dos riscos ambientais e das respostas ecológicas das instalações fotovoltaicas flutuantes é crucial para informar os órgãos reguladores e orientar o desenvolvimento de energia sustentável."
Dados de simulação mostram que, quando a cobertura de painéis solares ultrapassa 50%, o impacto das mudanças na temperatura da água sobre os habitats de peixes de água fria é particularmente acentuado. O estudo, por meio de observações dos ciclos de verão e inverno, constatou que as mudanças na temperatura e nos níveis de oxigênio dissolvido afetam simultaneamente os habitats de peixes de água fria e de água quente. A equipe de pesquisa observou: "A história mostra que alterações em larga escala nos ecossistemas de água doce, como a construção de barragens hidrelétricas, podem ter consequências imprevistas e duradouras."
Esta pesquisa fornece uma referência para o planejamento científico de projetos de energia solar flutuante. Por meio de monitoramento contínuo e projeto diferenciado, a estabilidade dos ecossistemas aquáticos pode ser mantida, garantindo-se, ao mesmo tempo, um fornecimento de energia limpa.













