O grupo de pesquisa liderado pelo Dr. Miloslav Polášek, do IOCB de Praga, desenvolveu com sucesso um método inovador para separar elementos de terras raras (elementos lantanídeos), trazendo nova esperança para a manufatura verde e a sustentabilidade. Os resultados relevantes foram publicados no Journal of the American Chemical Society.
Os elementos de terras raras são amplamente utilizados nas indústrias eletrônica, médica, automotiva e de defesa. A demanda global é impulsionada principalmente pela produção de ímãs superfortes de neodímio, essenciais para fabricantes de veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e centros de dados. Contudo, à medida que esses setores continuam em rápida expansão, a demanda por terras raras cresce continuamente, enquanto sua extração e purificação enfrentam desafios como elevado consumo de energia e geração de grandes quantidades de resíduos tóxicos e radioativos. Como o mercado de terras raras é dominado pela China, a “mineração urbana” (recuperação, reciclagem e reutilização de materiais de equipamentos descartados) ganha destaque como fonte estratégica no âmbito doméstico.
O Dr. Polášek afirmou: “No futuro, a extração de minerais primários não conseguirá atender ao crescente consumo de terras raras. Em no máximo dez anos precisaremos gerenciar esses materiais de forma mais cuidadosa, sendo urgente desenvolver novas tecnologias.”
O método desenvolvido pelo grupo permite purificar metais como neodímio ou disprósio a partir de ímãs de neodímio usados. Esse processo ecológico dispensa solventes orgânicos ou substâncias tóxicas. Em água, um novo agente quelante (uma molécula capaz de se ligar a íons metálicos) precipita seletivamente o neodímio do ímã dissolvido, permitindo separar facilmente o neodímio dos elementos que permanecem na solução, como o disprósio. O método também é aplicável a outros elementos de terras raras presentes em ímãs de neodímio. Não há geração de resíduos perigosos, e o desempenho é igual ou superior ao dos métodos industriais atuais, que dependem de solventes orgânicos e reagentes tóxicos.
A pesquisadora e integrante da equipe, Dra. Kelsea G. Jones, ressaltou que os elementos químicos não perdem suas propriedades após múltiplos ciclos de processamento, o que torna sua reciclagem sustentável e capaz de suprir lacunas deixadas pela mineração tradicional. A nova tecnologia já foi patenteada e tem potencial para aplicação em escala industrial.
O diretor da IOCB Tech, Milan Prášil, afirmou estar ansioso pelos resultados dos estudos de viabilidade, que permitirão levar a tecnologia do laboratório para aplicações práticas. Ele acredita que, com o apoio de investidores e parceiros comerciais, o método poderá impactar amplos setores industriais.
Além disso, o estudo revelou outra descoberta importante: o hálbio tem sido utilizado em ímãs de neodímio para novos modelos de veículos elétricos. Os cientistas da equipe de Polášek chegaram a essa conclusão ao analisar amostras de motores elétricos de carros chineses e europeus. No entanto, essa informação ainda não aparece em publicações especializadas, e a maioria dos projetos de reciclagem não a considera ao processar resíduos de veículos elétricos. Espera-se que essa descoberta influencie outros projetos de desenvolvimento e reciclagem, podendo inclusive afetar setores além da indústria automotiva.











