Estudo do MIT revela desigualdade de sombra nas cidades: bairros ricos têm mais árvores nas calçadas
2026-02-25 11:56
Fonte:Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
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Um novo estudo liderado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), abrangendo nove cidades em quatro continentes, descobriu que há diferenças significativas na cobertura de sombra de árvores nas calçadas dentro das cidades, e essas diferenças geralmente estão intimamente ligadas ao nível de riqueza do bairro. A pesquisa indica que os residentes mais ricos tendem a desfrutar de mais sombra de árvores nas calçadas próximas a suas casas.

O artigo, intitulado "Padrões globais de desigualdade de sombra para pedestres", foi publicado na revista Nature Communications. O estudo analisou dados de nove cidades: Amsterdã, Barcelona, Belém, Boston, Hong Kong, Milão, Rio de Janeiro, Estocolmo e Sydney. Os acadêmicos utilizaram dados de satélite, programas de mapeamento urbano e informações econômicas detalhadas para avaliar o nível de sombra nas calçadas das cidades no solstício de verão e no dia mais quente registrado, criando um sistema de classificação que vai de 0 a 1.

O estudo mostrou que, independentemente da cobertura geral de árvores da cidade, as áreas mais ricas geralmente têm mais árvores. Fabio Duarte, diretor associado do Senseable City Lab do Departamento de Estudos e Planejamento Urbano do MIT, apontou: "Apenas observando quais áreas têm sombra, podemos identificar onde vivem os ricos e os pobres." Ele exemplificou dizendo que, embora Estocolmo, que teve a melhor sombra no estudo, tenha uma situação geral melhor do que Belém, no norte do Brasil, a desigualdade de sombra dentro de Estocolmo é mais grave, com os residentes ricos desfrutando de condições de sombra para pedestres muito superiores às das áreas pobres.

A pesquisa descobriu que a cobertura de sombra de árvores varia enormemente entre as cidades. Na escala de 0 a 1, a maioria das áreas de Estocolmo ficou entre 0,6 e 0,9, enquanto grandes áreas do Rio de Janeiro ficaram abaixo de 0,1, e a maioria das áreas de Boston ficou entre 0,15 e 0,4. Mesmo dentro de cidades ricas, a desigualdade permanece significativa. Os 20% dos bairros com pior sombra em Estocolmo tiveram uma classificação de 0,58, enquanto os 20% dos bairros com melhor sombra em Belém tiveram apenas 0,37. Áreas de baixa renda em cidades ricas como Amsterdã também apresentam uma clara desvantagem em termos de sombra.

Os pesquisadores enfatizaram que focar na sombra das calçadas é crucial, pois elas são a principal via de atividade urbana, especialmente para pessoas de baixa e média renda que dependem de caminhadas e transporte público. Xinyue Gu, uma das coautoras do artigo e pesquisadora da Universidade Politécnica de Hong Kong, afirmou: "Aumentar a cobertura de árvores nas calçadas é uma das formas-chave pelas quais as cidades podem tomar medidas de resfriamento."

Para enfrentar a desigualdade de sombra, a equipe de pesquisa propôs recomendações claras: deve-se priorizar o plantio de árvores em áreas com boa acessibilidade ao transporte público e alto fluxo de pessoas. Duarte explicou que plantar árvores ao longo das rotas de transporte público pode efetivamente fornecer sombra para grupos que precisam se deslocar a pé. Ele acredita que, com o aumento das temperaturas, fornecer instalações de sombra deve ser visto como um importante serviço público, até mesmo como um direito público.

Detalhes da publicação: Autores: Xinyue Gu et al., Título: "Padrões globais de desigualdade de sombra para pedestres", Publicado em: Nature Communications (2026). Informações do periódico: Nature Communications

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