Pesquisadores do Houston Methodist Hospital, nos Estados Unidos, descobriram recentemente que uma proteína intimamente associada a doenças neurodegenerativas também desempenha um papel regulador crucial no processo de reparo do DNA. Esta descoberta, publicada na revista *Nucleic Acids Research*, pode fornecer novas perspectivas para entender a ligação entre a doença de Alzheimer, a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e o câncer.

A equipe de pesquisa focou na proteína chamada TDP43, descobrindo que ela é responsável por regular genes envolvidos no reparo de incompatibilidade de DNA. O reparo de incompatibilidade de DNA é um mecanismo importante pelo qual as células corrigem erros na replicação do material genético. Quando os níveis de TDP43 flutuam anormalmente, os genes de reparo associados tornam-se hiperativos. Essa atividade de reparo intensificada, em vez de proteger as células, pode danificar neurônios e aumentar a instabilidade do genoma, elevando assim o risco de câncer.
O Dr. Muralidhar L. Hegde, principal investigador de neurocirurgia no Centro de Neuroregeneração do Houston Methodist, afirmou: "O reparo do DNA é um dos processos mais fundamentais da biologia. Descobrimos que o TDP43 não é apenas outra proteína de ligação ao RNA envolvida no splicing, mas um regulador chave do mecanismo de reparo de incompatibilidade. Isso tem grandes implicações para doenças como ELA e demência frontotemporal, onde essa proteína fica descontrolada." Esta descoberta coloca o TDP43 na interseção de dois grandes problemas de saúde: doenças neurodegenerativas e câncer.
Ao analisar grandes bancos de dados de câncer, a equipe de pesquisa também encontrou evidências de uma ligação entre o TDP43 e o câncer. Os dados mostraram que tumores com maior quantidade de TDP43 frequentemente apresentavam mais mutações genéticas. O Dr. Hegde explicou: "No câncer, essa proteína parece ser superexpressa e está associada a uma maior carga mutacional. Isso nos diz que a biologia dessa proteína vai muito além da ELA ou da DFT."
Diante dessa descoberta, os cientistas estão explorando potenciais vias terapêuticas. Em modelos de laboratório, reduzir a atividade excessiva de reparo de DNA desencadeada pelo TDP43 anormal ajudou a reverter parcialmente os danos celulares. O Dr. Hegde acredita que controlar o reparo de incompatibilidade de DNA pode oferecer uma nova estratégia de tratamento.
Os colaboradores do estudo incluem pesquisadores de várias instituições, como Houston Methodist, MD Anderson Cancer Center, University of Massachusetts, UT Southwestern Medical Center e Binghamton University. O financiamento da pesquisa foi fornecido principalmente pelo National Institute of Neurological Disorders and Stroke, pelo National Institute on Aging dos NIH, pela Sherman Foundation e pelo Houston Methodist Research Institute.
Detalhes da publicação: Título: "Cientistas descobrem proteína da ELA que liga reparo de DNA a câncer e demência.", Publicado em: ScienceDaily, 15 de março de 2026, Informações da revista: Science Daily












