De acordo com relatos recentes do Space.com e do MIT Technology Review, entre outros, a organização sem fins lucrativos Fermi Explorer Mission divulgou um plano interestelar de baixo custo, com a intenção de lançar uma sonda minúscula antes do final de 2029, rumo ao sistema Alpha Centauri, a cerca de 4,4 anos-luz de distância. A rota foi planejada por IA, com duração total de aproximadamente 80 mil anos e orçamento total inferior a US$ 15 milhões. O cofundador e presidente do projeto, Philip Johnston, declarou em comunicado que ninguém estará presente para testemunhar o resultado ao final da jornada, e é exatamente isso que dá sentido à missão: "Este é o primeiro passo que a humanidade pode dar, e também uma forma de inspirar as gerações futuras a continuarem superando os limites que herdamos".

A missão estabelece quatro metas rígidas: a sonda deve voar em direção ao sistema Alpha Centauri e completar pelo menos 99% de toda a jornada em 80 mil anos; a carga útil deve ter pelo menos 1 kg, encapsulada em um espaço de 10×10×10 cm; o lançamento deve ocorrer antes do final de 2029; e o custo total do ciclo deve ser inferior a US$ 15 milhões.
A abordagem técnica da missão abandona tecnologias imaturas, como velas solares a laser e fusão nuclear, optando por propulsão elétrica solar. O planejamento de propulsão foi realizado pelo Physical Superintelligence (PSI), laboratório de física de IA, que, por meio de modelos de IA, incluindo Claude e GPT, dividiu o projeto em subtarefas e depois decidiu como executá-las. Conforme o plano, após entrar em órbita, a sonda primeiro realiza manobras em direção ao interior do Sol, reduzindo repetidamente o periélio, acendendo brevemente os propulsores em regiões de forte luz solar e alta velocidade heliocêntrica, acumulando gradualmente velocidade de escape antes de entrar em deriva interestelar. Até o momento, não foram divulgados a duração fixa da fase de propulsão nem a velocidade final, deixando isso como um conceito demonstrável a ser otimizado pelos fabricantes.
O sistema Alpha Centauri é composto por Alpha Centauri A, Alpha Centauri B e Próxima Centauri, sendo o vizinho estelar mais próximo do Sistema Solar. Embora as sondas Voyager 1 e Voyager 2 da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) já tenham entrado no espaço interestelar, elas não apontam para nenhuma estrela específica. A Fermi Explorer, por sua vez, é a primeira missão direcionada a outro sistema estelar. Em 2016, Stephen Hawking e o investidor Yuri Milner anunciaram a missão "Breakthrough Starshot", que pretendia usar lasers para impulsionar microvelas solares a cerca de 1/5 da velocidade da luz, chegando em cerca de 20 anos, com um compromisso de US$ 100 milhões para prova de conceito, mas até hoje não há data de lançamento.
Em relação à carga útil, a sonda transportará materiais de arte científica, mensagens para civilizações futuras, informações de crianças e uma réplica do disco de ouro das Voyager. O projeto também abrirá um período de três meses para propostas de carga útil e disponibilizará publicamente a participação de pesquisadores, engenheiros e do público em geral para melhorias. Seus consultores incluem o ex-presidente da Blue Origin, Rob Meyerson, entre outros, e a execução diária fica a cargo do ex-oficial da Força Aérea dos EUA, Garrett James.
Johnston afirmou que as tecnologias subsequentes de voo interestelar em velocidades mais altas poderão ser continuadas pelas gerações futuras. Atualmente, a missão ainda está nas fases de licitação, captação de recursos e coleta de propostas de carga útil; o lançamento em 2029, o orçamento de US$ 15 milhões e a chegada em 80 mil anos são todos metas planejadas.