O Instituto de Engenheiros de Minas do Peru (IIMP) realizou recentemente o seminário "Mulheres como Protagonistas da Transformação Digital na Mineração" durante o evento "Quinta-feira Mineira", em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Os participantes destacaram que a transformação digital está remodelando os modelos operacionais e as demandas por talentos na mineração, e que fortalecer o desenvolvimento profissional em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), aprimorar as habilidades digitais e ampliar a participação feminina nos espaços de decisão são fatores-chave para aumentar a participação das mulheres na mineração peruana.
Até o final de 2024, as mulheres representavam 10,1% do total de empregos no setor de mineração do Peru, o que equivale a mais de 22.000 trabalhadoras. Embora essa proporção tenha crescido em relação ao passado, os participantes acreditam que é necessário aproveitar as oportunidades da digitalização para acelerar o aumento da participação feminina e criar condições estruturais mais inclusivas. Nahil Hirsh, presidente da WIM Peru, enfatizou: "Como fazemos com que as mulheres liderem esta transformação digital? Há três coisas concretas: primeiro, obter talento digital genuíno, melhor educação STEM; segundo, visibilidade; terceiro, participação no processo decisório."
Mayra Figueroa, diretora da Direção de Coordenação de Mineração e Desenvolvimento Sustentável do Ministério de Energia e Minas, afirmou que a digitalização já aumentou a produtividade, eficiência e sustentabilidade das operações mineiras, além de abrir portas para novas oportunidades profissionais. Ela explicou: "Ferramentas como aprendizado de máquina e gêmeos digitais podem aumentar a eficiência operacional em até 20% e reduzir o consumo de energia e água em 15% a 20%." Essas tecnologias expandem o leque de carreiras em áreas relacionadas ao STEM.
Piero Saravia, gerente de Transformação Digital da empresa Minsur, observou que a inovação tecnológica está derrubando barreiras históricas que limitavam a participação feminina. "A tecnologia está abrindo essas portas. Ela desassocia liderança da força física", disse ele. Ferramentas como centros de operação remota, automação e análise de dados permitem que mais profissionais participem de processos críticos. Ele acrescentou que uma cultura inclusiva não só promove a equidade, mas também aumenta a competitividade e a inovação. "Empresas com cultura inclusiva têm seis vezes mais probabilidade de serem inovadoras e ágeis", mencionou Saravia, observando que organizações com maior diversidade de gênero em seus conselhos têm 27% mais chances de superar financeiramente seus pares.
O painel concordou que, no contexto da aplicação de tecnologias e expansão de projetos, o fortalecimento das habilidades digitais é crucial para a competitividade do setor. Impulsionar o desenvolvimento profissional em STEM, aumentar a visibilidade do talento feminino e promover sua participação em cargos estratégicos desempenha um papel decisivo na construção de uma indústria de mineração diversificada, inovadora e sustentável. A transformação digital não apenas moderniza a mineração, mas também pode servir como uma ferramenta para acelerar a inclusão feminina, desde que acompanhada por treinamento, políticas ativas e compromisso com a liderança feminina.









