De acordo com pt.wedoany.com-A Comissão Federal de Eletricidade do México (CFE) divulgou em 5 de junho os resultados da primeira rodada de licitação do plano de desenvolvimento híbrido, concedendo um total de 37 projetos de energia renovável, com capacidade instalada total de 7.411 MW. Esta é a maior mobilização de capital privado no setor elétrico mexicano desde os leilões de energia limpa de 2016-2018, e também a primeira rodada de licitação no âmbito do marco público-privado da reforma energética de 2025.

Dos 7.411 MW concedidos, aproximadamente 6.710 MW são de projetos solares fotovoltaicos e cerca de 700 MW de projetos eólicos. Nenhum projeto de tecnologia solar térmica de concentração foi concedido nesta rodada. 46 projetos foram excluídos do processo, enquanto 20 dos 37 projetos selecionados estão localizados na Península de Iucatã e na região nordeste.
Entre as empresas com registros de vitórias, a Cubico México obteve quatro projetos. Outras desenvolvedoras incluem Thermion Energy, Eléctrica Aselco, Atlantica Renewable Power, Solarig, Oak Creek Energy Solutions, Elawan Energy, Fisterra Energy e Freeman Energy.
Arturo Carranza, diretor de projetos de energia da Akza Advisors, observou anteriormente que desenvolvedoras com licenças mais avançadas, acesso à rede e estruturas financeiras tinham vantagem decisiva, destacando especificamente AES México, Atlas Renewable Energy, Invenergy e Cubico como estando na melhor posição. Os vencedores finais, com poucas exceções, foram empresas com histórico operacional no México ou relações estabelecidas com instituições financeiras mexicanas.
Várias desenvolvedoras que participaram desta rodada de licitação, incluindo Gemex, Dhamma Energy, Revolve Renewable Power, Solarig e Alten, obtiveram projetos no processo do setor privado em dezembro de 2025. Esse processo alocou 3,3 GW de capacidade limpa e 1,2 GW de armazenamento em baterias. A presença dessas desenvolvedoras em ambos os processos indica que o mercado de energia renovável do México está se consolidando em torno de um núcleo de desenvolvedoras com qualificação técnica e financeira, capazes de navegar pelas trilhas de licenças privadas e estruturas complexas de investimento híbrido.
Os projetos vencedores serão desenvolvidos sob o modelo de investimento híbrido, com a CFE mantendo pelo menos 54% das ações e contribuindo com ativos de acordo com sua participação proporcional. O modelo opera sob o direito privado, utilizando um modelo de contrato de referência pré-definido pela CFE, cujo conselho de administração mantém a aprovação final sobre a viabilidade do projeto. A adjudicação direta é permitida quando a parte privada detém a propriedade de ativos-chave do projeto, incluindo licenças, terrenos, equipamentos principais ou patentes. Esta disposição explica por que a maturidade do projeto se tornou um fator decisivo na avaliação.
Os 7.411 MW concedidos atingiram basicamente a meta de 7.500 MW estabelecida pelo governo de Claudia Sheinbaum para esta rodada. No entanto, o pipeline de projetos que concorreram a essas vagas superou em muito as expectativas. A licitação recebeu um total de 222 propostas de cerca de 80 empresas desenvolvedoras, com capacidade total de aproximadamente 38 GW, 581% superior à capacidade oferecida. A energia solar dominou, com 178 usinas fotovoltaicas declaradas, totalizando 26.494 MW; seguida pela energia eólica, com 34 projetos totalizando 9.324 MW; 9 projetos híbridos somando 1.032 MW; e um projeto de armazenamento hidrelétrico reversível de 900 MW.
Jorge Marcial Islas Samperio, Subsecretário de Planejamento e Transição Energética da SENER (Secretaria de Energia do México), afirmou: "Precisamos apenas de mais uma rodada de licitação para cobrir aproximadamente 16.500 MW de energia renovável necessários para este governo." A segunda rodada de licitação do setor privado (separada do plano híbrido) está sendo preparada, com lançamento previsto para junho, cobrindo cerca de 3 GW de capacidade não alocada no processo de licenciamento de dezembro de 2025.
Está previsto que os contratos gerados por esta rodada de licitação comecem a ser assinados a partir de 19 de junho, com a meta de mobilização para construção em novembro de 2026 e operação comercial programada entre 2028 e 2029. Este cronograma exige que a licença de impacto social (MISSE), o acordo de interconexão, os contratos de EPC (Engenharia, Aquisição e Construção) e o financiamento do projeto sejam concluídos em paralelo em aproximadamente cinco meses. Gleb Kouznetsov, Diretor de Financiamento de Energia do Bancomext (Banco de Comércio Exterior do México), apontou três problemas estruturais que geram incerteza para os credores de projetos: a falta de um mecanismo de acordo direto, impedindo os bancos de obterem direitos claros sobre ativos tangíveis; ambiguidade legal em relação a cláusulas de inadimplemento contratual e direitos de retenção de PPA (Acordo de Compra de Energia); e a possibilidade de licenças de geração e regulatórias retornarem à CFE, em vez de permanecerem associadas aos ativos ou serem acessíveis aos credores. A capacidade da CFE de resolver essas questões de financiabilidade durante o processo de negociação contratual entre agora e 19 de junho determinará se o financiamento do projeto poderá ser concluído rapidamente após a concessão dos contratos.
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