De acordo com pt.wedoany.com-Atualmente, apenas 28% do fundo oceânico foi mapeado com precisão por métodos acústicos, uma proporção inferior ao conhecimento humano sobre Marte e a superfície lunar. O projeto Seabed 2030, lançado pela Fundação Nippon (Nippon Foundation) em parceria com a GEBCO e a UNESCO, elevou a taxa de mapeamento preciso de 5% para 28% desde seu início em 2017, com o objetivo de concluir o mapeamento completo do fundo oceânico até 2030. Os 72% restantes dependem apenas de estimativas baseadas em dados de satélite, insuficientes para refletir a real condição do leito marinho.

A lacuna no mapeamento oceânico tem importância estratégica para a segurança da navegação, soberania, modelos climáticos, biodiversidade e exploração de recursos. Para o Brasil, essa questão está diretamente ligada à extensão da soberania sobre a "Amazônia Azul" (Amazônia Azul) — o país busca expandir sua Zona Econômica Exclusiva de 3,6 milhões para 5,7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 80% têm profundidade superior a 200 metros, exigindo um conhecimento aprofundado da topografia submarina.
A tecnologia de mapeamento oceânico passou por uma longa evolução, desde a sonda de profundidade com chumbo até os modernos ecobatímetros multifeixe. O método inicial consistia em lançar um peso amarrado ao mar, sendo lento e impreciso. Em 1855, Matthew Fontaine Maury elaborou um dos primeiros mapas do Oceano Atlântico; entre 1872 e 1876, a Expedição Challenger (Expedição Challenger) percorreu cerca de 130 mil quilômetros e realizou mais de 500 medições, marcando o nascimento da oceanografia moderna. Na década de 1970, Marie Tharp, Bruce Heezen e Maurice Ewing, da Universidade de Columbia, produziram o primeiro mapa detalhado da topografia oceânica. O trabalho de Tharp, por ser mulher em um campo dominado por homens, enfrentou décadas de resistência, tornando-se, no final, central para a teoria da tectônica de placas.
Os ecobatímetros multifeixe atuais não apenas medem a profundidade, mas também, por meio do sinal de retroespalhamento (backscatter), determinam o tipo de substrato do fundo marinho, incluindo rochas, lodo, areia, algas ou recifes. Combinados com dados topográficos, essas informações permitem mapear a diversidade geológica marinha, enquanto algoritmos de inteligência artificial são treinados para classificar tipos de fundo, auxiliando na previsão da distribuição de espécies, zonas de pesca e recursos minerais.

A topografia precisa do fundo marinho é crucial para prevenir desastres naturais como tsunamis e orientar a instalação de cabos submarinos e infraestruturas offshore. Corais de águas profundas, fontes hidrotermais e montes submarinos abrigam ecossistemas únicos, muitos dos quais ainda pouco conhecidos. Nos últimos 15 anos, apesar dos recursos limitados, pesquisadores brasileiros descreveram recifes submersos na Plataforma de Abrolhos (Plataforma de Abrolhos), rios submersos no Espírito Santo (Espírito Santo) e estruturas recifais na foz do Rio Amazonas, revelando vastas áreas desconhecidas.
Os anos de 2026 e 2027 representarão uma janela de oportunidades para o mapeamento oceânico brasileiro. O Instituto Schmidt Ocean (Instituto Schmidt Ocean) já enviou o navio de pesquisa "Falkor" (Falkor) para o Atlântico Sudoeste, em colaboração com pesquisadores brasileiros e internacionais para realizar expedições. O navio está equipado com veículos autônomos submersíveis capazes de mapear até 6.000 metros de profundidade e veículos operados remotamente que podem descer a 4.500 metros. A economia oceânica representa cerca de 6,4% do PIB brasileiro e 4,5% do emprego. Pesquisadores destacam que, para aproveitar essa oportunidade, o país precisa tratar o oceano como uma prioridade estratégica, e parte dos dados corporativos já coletados permanece confidencial, limitando sua aplicação científica.
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