ANP do Brasil aprova conexão do Terminal de Regaseificação de São Paulo à rede de gasodutos
De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) do Brasil aprovou a conexão do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) à rede de gasodutos da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), medida que permitirá à Edge Company abrir novos mercados para o gás natural liquefeito (GNL) importado. Na mesma reunião da diretoria, a ANP também aprovou novas regras para acesso de terceiros a terminais de GNL de forma não discriminatória e negociada, regras que prometem não apenas maximizar o uso da infraestrutura, mas também permitir a interconexão entre terminais. A versão final da resolução manteve a cláusula original que exige a interconexão dos terminais de GNL com os gasodutos de transporte, salvo exceções justificadas.

A medida impacta novos projetos em preparação, destinados a fornecer gás para as novas usinas termelétricas a gás do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de março. O segundo leilão de reserva de capacidade sustentará pelo menos dois novos terminais de GNL no Brasil: a Eneva planeja construir uma unidade de regaseificação no Porto de Pecém, no Ceará, e outra no Rio de Janeiro ou no Espírito Santo; a OnCorp, por meio de contratos de autogeração de energia e venda de gás natural a terceiros, comercializará seu terminal de GNL no Porto de Suape, em Pernambuco. O TRSP é um dos casos mais emblemáticos de "ilha de gás natural" no Brasil. Dos sete terminais em operação no país, além do TRSP, a unidade da GNA no Porto de Açu, no Rio de Janeiro (capacidade de 21 milhões de m³/dia) e a instalação da New Fortress em Barcarena, no Pará (capacidade de 15 milhões de m³/dia) não estão conectadas à rede de gasodutos.
A conexão dos terminais pode injetar mais gás no mercado, maximizar o uso da infraestrutura e gerar receita adicional para os proprietários das unidades de regaseificação, além de ampliar as opções de fornecimento para o mercado. O diretor-geral, Pietro Mendes, destacou que os terminais de GNL são "portas de entrada" para novos fornecedores e modelos de negócios, e que as novas regras visam aumentar a competitividade de preços no mercado. Por outro lado, a conexão aumenta a segurança do sistema, permitindo que usinas termelétricas a gás baseadas em GNL importado tenham acesso a outras fontes de gás e, eventualmente, realizem arbitragem. A contratação em larga escala de usinas termelétricas a gás no segundo leilão de reserva de capacidade pode aumentar a demanda por gás natural flexível, intensificando a volatilidade dos preços no mercado spot de gás natural brasileiro. Vinícius Romano, vice-presidente de Gás Natural para a América Latina da Rystad Energy, analisou que um volume de contratação de usinas termelétricas a gás na rede acima do esperado pode tornar o mercado spot de gás natural mais apertado.
A estratégia da Edge Company é justamente acessar novos mercados por meio da conexão à rede, especialmente as usinas termelétricas a gás do LRCAP. A obra de conexão consiste em um gasoduto de 55 metros de comprimento, ligando o terminal TRSP ao gasoduto Gasan I da NTS. O terminal, com capacidade de 14 milhões de m³/dia, atualmente fornece gás para a Comgás através do gasoduto Subida da Serra, além de abastecer o mercado livre. A Edge Company também iniciou este ano um novo negócio de distribuição de GNL fora da rede e anunciou um novo projeto chamado GreenTech Logística Integrada, com investimento planejado de 8,3 bilhões de reais em dez anos e a promessa de atingir 2.000 caminhões em dois anos. Ao aprovar a conexão à rede da NTS, a ANP considerou que o projeto pode injetar até 7,5 milhões de m³/dia de gás natural importado na rede, mitigando os efeitos da queda na oferta doméstica de gás natural e da redução do fornecimento de gás boliviano através do gasoduto Gasbol, além de aliviar parte do gargalo entre Rio e São Paulo antes da entrada em operação da estação de compressão de Japeri.
A Superintendência de Infraestrutura e Transporte da ANP apontou que o projeto de conexão do TRSP apresenta limitações técnicas, com capacidade restrita de transporte de gás entre o Gasan I e o Gasan II devido à diferença de pressão entre as redes. A autorização não alterou a classificação da ANP do gasoduto Subida da Serra da Comgás como ativo de transporte. Em relação à dinâmica do mercado de gás natural, a Rystad Energy analisa que, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do gás natural no Brasil podem permanecer sob pressão no segundo semestre. A diretoria da ANP adiou a decisão sobre o plano de desenvolvimento do campo de Orca. A ANP também concordou em prorrogar por 60 dias o prazo para que transportadoras e usuários apresentem uma proposta conjunta sobre o cálculo do multiplicador da tarifa de transporte. No campo do biometano, a Ultragaz considera que existe um "vácuo regulatório" no desenvolvimento do corredor verde, e Yuri Schmitke, presidente da Associação Brasileira de Energias Renováveis (Abren), considera conservadora a meta de descarbonização do mercado de gás natural de 0,5% no primeiro ano do mandato obrigatório de biometano definida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A Gasmig assinou o primeiro contrato de longo prazo para aquisição de biocombustíveis com a GeoMit, com fornecimento diário de 50.000 m³. Além disso, a Petrobras assinou um memorando de entendimento com a Pemex e um contrato para retomar a construção da fábrica de fertilizantes UFN 3.
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