Brasil aprova alocação de espectro para conexão direta via satélite a dispositivos móveis
De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou, em 2 de julho, um plano de alocação de faixas de espectro, estabelecendo as bases para a prestação de serviços de conexão direta entre satélites e dispositivos móveis (Direct-to-Device, D2D) no país.

Essa alocação foi incorporada ao Plano de Distribuição, Designação e Destinação de Faixas de Frequências (PDFF) do biênio 2025-2026 do Brasil, com o conselheiro substituto da Anatel, Nilo Pasquali, atuando como relator e apresentando a proposta relacionada.
A proposta aprovada aloca, em caráter secundário, as faixas de telefonia móvel de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz para uso D2D. Pasquali enfatizou que as empresas de satélite devem sempre cooperar com as operadoras terrestres detentoras dessas faixas ao utilizar o espectro relevante.
A votação também definiu o cronograma de discussões subsequentes sobre o tema: o Conselho será responsável por determinar as características técnicas das subfaixas utilizadas para o serviço D2D. Esse tipo de definição técnica é geralmente elaborado pelos departamentos técnicos da Anatel, mas, devido à importância política do assunto, a mais alta instância decisória intervirá diretamente.
A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação terá 90 dias para apresentar ao Conselho uma proposta contendo as especificações técnicas, medida que entra em vigor simultaneamente com a aprovação da nova versão do PDFF.
Durante a deliberação, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, solicitou que o departamento técnico acelerasse o processo para que ele próprio pudesse participar da análise dos requisitos técnicos. O mandato de Baigorri termina em novembro.
O desenvolvimento do D2D no mercado global tem atraído atenção. Desde 2024, a Anatel estabeleceu um ambiente experimental (sandbox regulatório) para testar o D2D no Brasil. Nilo Pasquali destacou que as discussões globais sobre o tema já avançaram significativamente, sendo oportuno adotar uma abordagem mais clara neste momento.
Carlos Baigorri apontou, nesta reunião, que o D2D já é uma realidade em mercados como Estados Unidos, Europa, Chile e Peru, e enfatizou o potencial do Brasil nessa área. "Tornamo-nos um dos líderes desta iniciativa. Já somos o maior mercado de acesso à banda larga fixa por constelações de órbita baixa. Com as condições geográficas do Brasil e a demanda reprimida, temos potencial para levar essa conectividade também aos celulares da população."
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