ANPD e Cade renovam acordo de cooperação técnica para fortalecer regulação de dados e concorrência

2026-07-03 13:50
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De acordo com pt.wedoany.com-A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) renovaram recentemente o Acordo de Cooperação Técnica (ACT), dando continuidade às ações conjuntas nas áreas de proteção de dados e regulação da concorrência. O diretor-presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves, afirmou que a prorrogação do acordo reflete a maturidade da parceria institucional e o reconhecimento dos desafios digitais por ambas as partes.

As duas instituições possuem perspectivas distintas sobre a regulação dos fluxos de dados: o Cade os trata como ativos econômicos e elementos de concorrência, enquanto a ANPD os considera um direito fundamental. O presidente interino do Conselho Diretor da ANPD, Diogo Thomson, destacou que equilibrar essas duas visões é o principal desafio das instituições, sendo necessário garantir que a privacidade se torne um parâmetro de qualidade concorrencial, sem criar barreiras artificiais entre os agentes.

Especialistas apontam que possíveis conflitos regulatórios são outro tema relevante. As plataformas não podem utilizar a proteção de dados e a privacidade como pretexto para práticas anticoncorrenciais ou para obstruir a portabilidade de informações, embora esta exija protocolos rigorosos de segurança.

Com a evolução das normas regulatórias brasileiras, incluindo a Lei da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), o projeto de lei do marco legal dos mercados digitais (PL 4675/2025) e o Marco Civil da Internet (MCI), o ambiente regulatório se tornará mais desafiador. No caso da ECA Digital, por exemplo, a regulação precisa estabelecer regras para prevenir padrões manipulativos no design e evitar o uso compulsivo, ao mesmo tempo que deve ser abrangente e proporcional, para não afetar ferramentas benéficas como aplicativos educacionais.

A coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Renata Mielli, enfatizou que o bloqueio de aplicativos online deve ser considerado uma medida extrema. As ações previstas no projeto de lei devem ser simétricas, com prazos definidos, transparência e respeito à arquitetura descentralizada.

As duas instituições também manifestaram preocupação com o desenvolvimento da inteligência artificial, especialmente com a questão da integração vertical que pode resultar da cooperação entre empresas concorrentes para o desenvolvimento de tecnologias.

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