De acordo com pt.wedoany.com-A Rússia planeja estabelecer e operar um centro logístico comercial dentro da base naval do porto sírio de Tartus, com uma meta inicial de movimentação mensal de cerca de 250 mil toneladas de carga. O primeiro lote será de 30 mil toneladas de grãos, com previsão de início das operações em meados de julho. O projeto é desenvolvido pela empresa de logística síria Rus Line em parceria com o Conselho Empresarial Russo-Sírio (Russian-Syrian Business Council), visando manter e expandir a influência russa no país por meio de canais econômicos.
O porto de Tartus é a principal base naval da Rússia no Mediterrâneo. Após a derrubada do ex-presidente Bashar al-Assad em 2024, Moscou perdeu seu aliado mais firme no Oriente Médio. A Rússia espera manter sua presença econômica na Síria por meio deste projeto. De acordo com autoridades sírias entrevistadas pela Reuters e documentos e declarações de empresas consultados, o centro logístico operará em um dos dois cais, enquanto o outro permanecerá reservado para uso da Marinha russa. Autoridades sírias afirmam que Moscou busca manter sua influência por meio de laços econômicos, enquanto Washington tenta garantir que a Síria conceda contratos a empresas americanas e conter a presença militar russa.
Mazen Alloush, porta-voz da Autoridade Geral de Portos e Alfândegas da Síria (Syria's General Authority for Ports and Customs), negou que a Rússia vá operar um centro logístico comercial no porto, classificando tais relatos como "completamente falsos" e afirmando que qualquer projeto envolvendo portos e postos de fronteira só será divulgado por meio de canais oficiais do governo. Após a queda de Assad, o novo governo sírio cancelou um contrato de 49 anos que concedia à empresa russa Stroytransgaz o desenvolvimento de instalações comerciais em Tartus e firmou um acordo de concessão de 30 anos, no valor de 800 milhões de dólares, com a DP World, dos Emirados Árabes Unidos, para reurbanizar o porto. No entanto, em 6 de junho de 2025, o Conselho Empresarial Russo-Sírio anunciou planos de estabelecer um "centro de distribuição de mercadorias russas" em Tartus. O projeto é desenvolvido pela Rus Line em parceria com empresas russas vinculadas ao conselho, e os organizadores afirmam ter chegado a um acordo com o fundo soberano sírio para a gestão conjunta do centro logístico.
Ossama Ajaj, diretor-geral da Rus Line e consultor do Conselho Empresarial Russo-Sírio, afirmou que o centro inicialmente processará trigo, grãos, ração animal, óleo vegetal, madeira, aço, clínquer, carvão, arroz, açúcar e óleo mineral russos. Jinan Mubadda, CEO da Rus Line, disse que o centro operará no cais 4 do porto de Tartus. Ajaj e duas autoridades do Ministério das Relações Exteriores da Síria afirmaram que o projeto foi apresentado durante a reunião entre o presidente sírio Ahmed al-Sharaa e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, em 28 de janeiro. Ossama Ajaj declarou que a Rússia manterá uma "presença militar reduzida". O projeto visa estabelecer uma rota marítima regular conectando o porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, a Tartus, de onde as mercadorias serão distribuídas para a Síria e países vizinhos. Os principais mercados-alvo incluem Iraque e Jordânia, seguidos por Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Bahrein.
O centro logístico comercial aumentará o já significativo papel econômico de Moscou na Síria. Um documento alfandegário sírio mostra que cerca de 85% do trigo importado pela Síria — 2,9 milhões de toneladas no período 2025-26 — vem da Rússia e da Crimeia ocupada pela Rússia. Desde a queda de Assad, a dependência da Síria em relação às importações de petróleo bruto russo também aumentou, tendo recebido cerca de 16,8 milhões de barris de petróleo russo em 2025 e uma estimativa de 60 mil barris por dia nos primeiros meses de 2026. O deputado americano Joe Wilson anexou uma emenda ao orçamento do Pentágono exigindo uma avaliação de opções para reduzir a influência russa na Síria e garantir a retirada de suas tropas. Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou que os Estados Unidos acompanham de perto os projetos comerciais e logísticos apoiados pela Rússia e incentivam a Síria a cooperar com "parceiros empresariais confiáveis — especialmente empresas americanas".






