Preço do minério de ferro global no segundo semestre de 2026 deve ficar entre 85 e 105 dólares/tonelada
2026-07-16 14:17
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De acordo com pt.wedoany.com-No primeiro semestre de 2026, o mercado global de minério de ferro apresentou um cenário de oferta em expansão e demanda divergente. Do lado da oferta, houve uma liberação concentrada da capacidade de produção de minas não tradicionais, com um aumento significativo no volume de embarques globais de minério de ferro em comparação anual. Já a demanda mostrou uma "recuperação fraca no exterior e pressão no mercado interno".

Em relação à oferta, dados da SteelHome indicam que, no primeiro semestre, o volume global de embarques de minério de ferro aumentou 34,208 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Desse total, Austrália e Brasil contribuíram com um incremento de 15,628 milhões de toneladas, enquanto as minas não tradicionais adicionaram 18,58 milhões de toneladas. O desempenho das quatro grandes mineradoras variou, e a liberação de nova capacidade em regiões como Guiné e Serra Leoa manteve os embarques em alta.

Entre as quatro grandes mineradoras, a Rio Tinto apresentou um forte desempenho de embarques no primeiro semestre. O projeto Simandou e o projeto WesternRange forneceram suporte com a rampa de produção, enquanto a base de comparação do ano anterior foi baixa devido aos furacões. No primeiro trimestre, a produção em Pilbara foi de 82,83 milhões de toneladas, um aumento de 13% em relação ao ano anterior; as vendas foram de 75,68 milhões de toneladas, um aumento de 2%. Os ciclones tropicais reduziram os embarques em cerca de 8 milhões de toneladas. O projeto WesternRange é um projeto de substituição de capacidade, e espera-se que contribua com um incremento real de cerca de 1,5 milhão de toneladas no segundo semestre. O volume anual de embarques deve se manter entre 343 milhões e 366 milhões de toneladas. A BHP Billiton teve embarques fortes no início, mas mais fracos depois. No primeiro trimestre, a produção em Pilbara foi de 69,8 milhões de toneladas, um aumento de 1% em relação ao ano anterior, com a mina South Flank superando a capacidade nominal anual. No segundo trimestre, devido às negociações de contratos de longo prazo e aos ciclones australianos, os embarques para a China caíram mais de 5,5 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Os projetos WRC e CD6 ainda estão em construção, com o projeto WRC tendo capacidade projetada de 25 milhões de toneladas e previsão de início de operação no terceiro trimestre. A FMG manteve embarques estáveis no primeiro semestre. No primeiro trimestre, a produção total foi de 59,5 milhões de toneladas, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Devido aos ciclones tropicais, a orientação de embarques do projeto Iron Bridge para o ano fiscal de 2026 foi reduzida para 9 a 10 milhões de toneladas, enquanto a orientação para o ano fiscal de 2027 foi elevada para 16 a 20 milhões de toneladas. Atualmente, a FMG está focada em planos de descarbonização, além de explorar o projeto Belinga, no Gabão. A Vale manteve-se relativamente estável, apesar das perturbações da estação chuvosa no Brasil. No primeiro trimestre, a produção foi de 69,675 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação ao ano anterior; as vendas foram de 68,713 milhões de toneladas, um aumento de 3,9%. A produção da mina S11D no primeiro trimestre foi de 19,9 milhões de toneladas, um recorde para o período; o projeto Capanema atingiu capacidade total no segundo trimestre. O projeto de expansão de 20 milhões de toneladas da mina S11D será iniciado no segundo semestre, com 86% do progresso da construção física concluído. A meta de produção da Vale para 2026 é de 335 a 345 milhões de toneladas, com expectativa de aumento de 3 a 4 milhões de toneladas na produção do segundo semestre em relação ao ano anterior.

Os embarques de minas de médio e pequeno porte na Austrália e no Brasil aumentaram 8,627 milhões de toneladas no primeiro semestre em relação ao ano anterior, com o incremento altamente concentrado no projeto Onslow da Mineral Resources, que tem capacidade anual projetada de 35 milhões de toneladas. O projeto Lamb Creek realizou seu primeiro embarque em março de 2026, e o projeto McPhee Creek, com capacidade projetada de 9,5 milhões de toneladas, deve iniciar operação no segundo semestre. Devido ao efeito de base, espera-se que o crescimento da produção das minas de médio e pequeno porte australianas desacelere no segundo semestre. O desempenho das minas de médio e pequeno porte brasileiras foi basicamente estável em relação ao ano anterior.

As minas não tradicionais foram a principal fonte de crescimento do minério de ferro global no primeiro semestre, contribuindo com "metade" do incremento, que foi altamente concentrado na região da África Ocidental. O projeto Simandou, na Guiné, foi o maior impulsionador. A produção desta mina foi lenta no primeiro trimestre, com uma paralisação de um mês em fevereiro devido a um acidente de segurança, mas o ritmo de embarques acelerou significativamente desde abril, com embarques semanais atingindo 974.000 toneladas em meados de maio e a frequência de navios aumentando para 7 a 8 por mês. Atualmente, o progresso geral da construção do Simandou atingiu 74%, e espera-se que o primeiro lote de minério de ferro seja processado por instalações de britagem permanentes no segundo semestre, com início da comissionamento no primeiro trimestre de 2027. De acordo com estimativas da SteelHome, os embarques de Simandou em 2026 podem ultrapassar 20 milhões de toneladas. Além disso, a Libéria, beneficiada pelo projeto de expansão da Fase II de Nimba da ArcelorMittal e por mudanças políticas, pode ver suas exportações de minério de ferro saltarem de 10 milhões de toneladas em 2025 para 25 a 30 milhões de toneladas. Olhando para o segundo semestre, espera-se que os embarques de minas não tradicionais aumentem de 15 a 24 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

Do lado da demanda, há uma divergência entre os mercados interno e externo. Na demanda externa, a divergência regional se intensificou, com crescimento significativo na Índia, Alemanha e Coreia do Sul. A OCDE estima que a demanda global de aço em 2026 crescerá ligeiramente 0,4%. A demanda interna apresentou desempenho geral fraco no primeiro semestre. Dados da SteelHome mostram que a produção de ferro-gusa na China no primeiro semestre foi de 427 milhões de toneladas, uma queda de 0,5% em relação ao ano anterior. O setor imobiliário continua sendo o principal fator de arrasto, sem sinais de estabilização. O investimento em infraestrutura de janeiro a junho caiu 2,4% em relação ao ano anterior. A exportação direta de aço foi um importante incremento na demanda do primeiro semestre, com as exportações acumuladas de aço de janeiro a maio totalizando 44,55 milhões de toneladas, uma queda de 8% em relação ao ano anterior. Olhando para o segundo semestre, é difícil esperar uma melhora significativa na demanda interna em comparação com o primeiro semestre, e a maior variável na demanda final continua sendo as exportações.

Considerando o panorama geral de oferta e demanda, o mercado global de minério de ferro no segundo semestre apresentará um cenário de aumento da oferta e crescimento limitado da demanda. Espera-se que o incremento na oferta global de minério de ferro no segundo semestre seja de 25 a 39 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, com as quatro grandes mineradoras contribuindo com um incremento total de 6,5 a 10 milhões de toneladas, as minas de médio e pequeno porte da Austrália e do Brasil com 3 a 5 milhões de toneladas, e as minas não tradicionais com 15 a 24 milhões de toneladas. Os estoques portuários domésticos de minério de ferro no segundo semestre devem aumentar de 18 a 25 milhões de toneladas, podendo chegar a 192 a 199 milhões de toneladas no final do ano. O preço do minério de ferro enfrenta uma pressão descendente significativa, com a faixa de negociação esperada entre 85 e 105 dólares/tonelada, e o centro em 90 a 95 dólares/tonelada, com o nível geral continuando a cair em relação ao primeiro semestre.

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