Preço da soja no Brasil atinge máxima de 6 meses, área plantada pode chegar a 49,1 milhões de hectares
2026-07-20 09:37
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De acordo com pt.wedoany.com-O preço da soja no Brasil atingiu a máxima dos últimos seis meses em meados de julho, e as previsões para a área de plantio da próxima safra também se expandiram no mesmo período. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, mostram que a saca de 60 kg fechou a R$ 141,02 no Porto de Paranaguá, no Paraná, na última sexta-feira (17 de julho). O indicador Cepea/Esalq da soja (Paranaguá) subiu 0,31% no dia e acumulou alta de 5,57% em julho. No mercado paranaense, a saca de soja fechou a R$ 134,11, com alta de 0,13% no dia e 5,24% no mês.

O suporte aos preços ocorre em um período de baixa oferta de soja no mercado interno. Segundo analistas do setor, em algumas regiões do Centro-Norte, cerca de 80% da soja da safra 2025/26 já foi vendida. O volume restante disponível para venda inclui lotes de qualidade inferior, principalmente devido ao excesso de umidade durante a colheita em algumas áreas. Essa restrição mantém os prêmios firmes e ajuda a sustentar as cotações brasileiras, mesmo diante da volatilidade no mercado internacional.

A taxa de câmbio, a demanda chinesa, o volume de embarques nos portos brasileiros e a Bolsa de Chicago continuarão a ditar o ritmo dos negócios. Os planos portuários indicam que as exportações de soja em julho devem ser de cerca de 13,75 milhões de toneladas, volume que intensifica a disputa pela soja disponível no mercado interno. Enquanto o mercado gerencia o volume remanescente da safra atual, os produtores começam a planejar o plantio da próxima safra. As primeiras projeções para a safra 2026/27 indicam que o Brasil deve semear 49,107 milhões de hectares, um aumento de 1,2% em relação aos 48,5 milhões de hectares do ciclo anterior considerados pela consultoria.

O crescimento deve se concentrar principalmente no Centro-Oeste do Brasil. No maior estado produtor, Mato Grosso, a área plantada pode aumentar cerca de 1,5%. Goiás também deve seguir uma tendência semelhante, embora os produtores do estado enfrentem uma situação financeira mais difícil, com margens de lucro mais baixas e maior dificuldade para financiar a próxima safra. A expansão também deve chegar à região Sudeste, mas uma parte considerável do crescimento deve ocorrer em fazendas já consolidadas, por meio da incorporação de áreas anteriormente usadas para outras atividades ou do aproveitamento de terras aptas para o cultivo. Mesmo com a rentabilidade mais baixa, a área plantada de soja continua a se expandir, impulsionada pelos altos rendimentos das safras passadas, que melhoraram a relação entre custo e receita.

Esse equilíbrio ainda é frágil. A alta dos preços dos fertilizantes no primeiro semestre elevou os custos estimados para a safra 2026/27. Com margens de lucro comprimidas, alguns agricultores podem reduzir os investimentos em fertilizantes, tecnologia e manejo, uma decisão que diminuirá o potencial produtivo da lavoura, especialmente se o clima também for desfavorável. Com a expansão da área, a Safras & Mercado projeta uma colheita de 180,089 milhões de toneladas para a safra 2026/27, ligeiramente acima das 178,3 milhões de toneladas calculadas pela consultoria para a safra 2025/26. A produtividade média esperada é de 3.686 kg por hectare (61,43 sacas), contra 3.692 kg por hectare (61,54 sacas) do ciclo anterior.

Em relatório divulgado em julho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calculou a produção da safra 2025/26 em 180,57 milhões de toneladas, com área colhida de 48,64 milhões de hectares e produtividade média estimada em 3.712 kg por hectare (61,87 sacas). Segundo a Conab, em comparação com a safra 2024/25, a produção desta safra cresceu 5,3%, a área aumentou 2,7% e a produtividade subiu 2,5%. A colheita principal foi concluída no início de junho, embora ainda haja pequenas áreas de cultivo em Roraima, Tocantins e Alagoas. A empresa também elevou a previsão de exportação de soja do Brasil em 2026 para 116,3 milhões de toneladas. O processamento interno é estimado em 62,57 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem devem ser de 8,8 milhões de toneladas, abaixo dos 9,3 milhões de toneladas previstos anteriormente.

O principal risco para a próxima safra reside no clima. A possibilidade de um fenômeno El Niño mais forte nos meses críticos de desenvolvimento da soja aumenta as preocupações com a distribuição das chuvas, especialmente nas fases de floração e enchimento de grãos. O plantio deve começar em setembro, nas regiões onde o calendário fitossanitário permitir e a umidade do solo for suficiente. Até lá, os produtores terão que conciliar três fatores: a recente alta dos preços, os altos custos dos insumos e o risco climático. O Brasil caminha para manter a liderança global na produção e venda de soja, mas o novo recorde dependerá mais da capacidade de manter a produtividade do que da expansão da área.

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