Operadoras brasileiras aceleram investimentos em rede para lidar com crescimento de cinco vezes no tráfego de IA
2026-08-04 08:37
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De acordo com pt.wedoany.com-A inteligência artificial (IA) está reescrevendo a direção do tráfego de internet. No passado, a carga nas redes das operadoras era dominada por streaming e downloads, com dados fluindo dos data centers para os dispositivos dos usuários; nos últimos meses, essa direção começou a se inverter aceleradamente — a demanda por geração de imagens, vídeos e textos em tempo real faz com que grandes volumes de dados sejam enviados de celulares e computadores para a nuvem. As operadoras de telecomunicações brasileiras precisam investir na modernização de suas redes para se adaptar a essa nova lógica de tráfego.

Teles IA Brasil

Estima-se que, até o início da próxima década, o tráfego nesse caminho de dados que vai dos dispositivos para a nuvem cresça cinco vezes, sendo que 25% dele será gerado diretamente por agentes de IA. Segundo pesquisa da consultoria americana Ookla, apenas 5,74% da capacidade das redes móveis brasileiras é destinada ao uplink, ou seja, o canal pelo qual os usuários enviam dados à internet; em países como Indonésia, Alemanha, Tailândia, Suécia e Noruega, esse percentual se aproxima de 24%. A capacidade de envio do Brasil é inferior a um quarto da dos líderes globais, e a Ookla classifica o país como um dos menos preparados para a nova estrutura de tráfego.

Em termos de investimento, a entidade setorial Conexis estima que o montante deste ano seja de cerca de 36 bilhões de reais, enquanto especialistas consideram o cenário desafiador e preveem que os investimentos permaneçam estáveis nos próximos anos. As redes 5G puras (stand alone), que suportam a operação em alta velocidade de aplicações de IA, representam apenas 10% do total da infraestrutura 5G no Brasil.

Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o sul da América do Sul, afirma que, com a entrada da "IA física" no cotidiano, dispositivos vestíveis, drones e automóveis trocarão dados constantemente com as redes, e os produtos de IA enviarão comandos às redes por meio de agentes, fazendo o tráfego crescer. Ele também destaca que os agentes de IA tornarão as redes utilizadas 24 horas por dia, eliminando a ociosidade nas madrugadas; as operadoras precisarão reconfigurar as frequências, realocando espectro de 3G e 4G para o 5G, e aumentar o número de estações-rádio base para elevar a densidade da rede.

Andre Gildin, sócio da consultoria RKKG, analisa que os países líderes em ranking de redes já estão otimizando suas arquiteturas, combinando a implantação de 5G voltado para IA com a conexão por fibra óptica entre operadoras e provedores de nuvem. Atualmente, um dos gargalos do Brasil é a concentração de data centers em São Paulo, com desafios acentuados de latência entre as redes móveis e os grandes provedores de nuvem; o caminho até a nuvem é longo ou mal otimizado, o que torna as respostas das aplicações de IA mais lentas. Ele recomenda expandir o espectro e acelerar a adoção do 5G stand alone.

Mike Dano, analista-chefe do setor de telecomunicações da Ookla, acredita que o maior desafio das operadoras é de ordem econômica: reverter décadas de priorização do tráfego de download tem um custo, e um custo excessivamente alto pode inibir a adoção de serviços avançados de IA pelos consumidores.

O 5G brasileiro ainda está em expansão. Dados da consultoria Teleco mostram que o Brasil possui 276,4 milhões de assinaturas de telefonia móvel, das quais 23,9% são 5G, 64,3% são 4G e 5,1% são 3G; a rede 5G cobre 3.040 dos 5.570 municípios, enquanto o 4G já alcança todos os 5.570 municípios.

Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis, afirma que as operadoras de telecomunicações já notaram essa tendência, e que ela é irreversível. Dados da Ookla indicam que, com o aumento do uso de IA, os usuários brasileiros sentirão a rede mais lenta nos horários de pico de consumo, com latência podendo chegar a sete vezes mais, afetando diretamente aplicações sensíveis ao tempo de resposta.

As operadoras já começaram a se ajustar. André Sarcinelli, diretor de tecnologia da Claro, afirma que o desempenho das aplicações de IA depende da integração entre a infraestrutura de telecomunicações e o ecossistema de nuvem, e que a empresa se posicionou como uma "nova nuvem" (neocloud), investindo 1 bilhão de reais para expandir sua plataforma. Guilherme Silveira, da Vivo, explica que a operadora investe 9 bilhões de reais por ano na expansão do 5G e da fibra óptica. Marco Di Costanzo, vice-presidente de tecnologia da TIM Brasil, diz que a empresa acelerou a modernização da infraestrutura desde o ano passado, adotando antenas controladas por IA que se adaptam automaticamente ao tráfego; o projeto em São Paulo foi concluído, e a expansão para outras oito capitais está prevista para este ano.

Silveira acredita que as operadoras desempenham um papel fundamental na conectividade, mas os investimentos de provedores de nuvem, data centers, hiperescaladores e desenvolvedores de aplicativos são igualmente cruciais. Especialistas avaliam que a construção do ecossistema de IA exigirá colaboração contínua entre operadoras de telecomunicações e grandes empresas de tecnologia.

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