Universidade de Bari, Itália: Sistema agrovoltaico pode reduzir temperatura do solo em mais de 20°C
De acordo com pt.wedoany.com-A equipe do Professor Giuseppe Ferrara, da Universidade de Bari, Itália, mediu em um projeto-piloto agrovoltaico que a temperatura do solo sob sombreamento é mais de 20°C inferior à de áreas sob incidência solar direta, e está estudando os efeitos da redução da radiação no desenvolvimento das culturas.

Os dois locais-piloto estão localizados em Laterza, na região da Apúlia, e em Scalea, na região da Calábria, ambos no sul da Itália, e foram desenvolvidos pela Universidade de Bari, pela agência de pesquisa italiana ENEA, pela startup Agridatalog e por empresas parceiras. O projeto "Vigna Agrivoltaica di Comunità" em Laterza cultiva figos e oliveiras; a instalação em Scalea, operada pelo consórcio Le Greenhouse, tem como objetos de estudo limoeiros e lavanda. Os dois locais utilizam diferentes configurações fotovoltaicas, incluindo sistemas de inclinação fixa, sistemas de rastreamento e painéis instalados em diferentes alturas.
Ferrara explicou que os dois projetos foram deliberadamente concebidos como complementares, a fim de estudar múltiplas culturas sob diferentes condições ambientais e diferentes configurações fotovoltaicas. Ele acredita que avaliar a viabilidade de sistemas agrovoltaicos exige o máximo de dados possível, incluindo a identificação das culturas mais adequadas à tecnologia e dos ambientes onde os benefícios são maiores.
Medições em Laterza mostraram que, por volta das 11h, a temperatura do solo sob o sistema agrovoltaico era mais de 20°C inferior à das áreas sob incidência solar direta. Ferrara ressaltou que esse dado foi registrado em um período de temperaturas elevadas e não representa a redução média, pois a diferença real varia conforme latitude, hora do dia, temperatura ambiente e características do solo. A cor do solo também influencia a temperatura — solos mais escuros geralmente absorvem mais radiação solar e podem atingir temperaturas mais altas. O efeito de resfriamento pode ser particularmente importante na região do Mediterrâneo, onde a produção agrícola enfrenta cada vez mais desafios como altas temperaturas, forte radiação solar e recursos hídricos limitados.
A redução da luz é considerada uma das principais limitações dos sistemas agrovoltaicos. O sombreamento pode reduzir a temperatura e aliviar o estresse hídrico, mas o sombreamento excessivo inibe a atividade fotossintética e, em última instância, reduz a produtividade das culturas. A trajetória do sol e, em alguns sistemas, o movimento dos painéis fotovoltaicos redistribuem a radiação ao longo do dia, permitindo que as culturas recebam a luz necessária para a fotossíntese, o crescimento e a produtividade. A equipe de Ferrara descobriu que culturas menos tolerantes à sombra podem apresentar quedas de produtividade mais acentuadas, exigindo avaliação cuidadosa antes da introdução do sistema. Os pesquisadores estão analisando como a quantidade, o momento e a duração do sombreamento interagem com a fisiologia e a produtividade das culturas.
Os dois locais-piloto visam acumular dados para diferentes culturas e configurações de sistemas. Ferrara acredita que não existe um design agrovoltaico único adequado a todas as culturas ou locais, e que a integração de conhecimentos de diferentes áreas ajuda a examinar o sistema sob múltiplas perspectivas, identificando seus aspectos positivos e negativos. Ele também enfatizou que a colaboração entre múltiplas partes é essencial para gerar dados abrangentes de campo, em vez de focar apenas nos benefícios potenciais da tecnologia. "A pesquisa não deveria ser marketing", afirmou. "Ela deveria fornecer informações úteis aos tomadores de decisão."
Ferrara considera esse tipo de pesquisa particularmente importante para regiões de clima mediterrâneo, onde altas temperaturas e forte radiação solar frequentemente coincidem com períodos de escassez hídrica. A interação entre produção de energia e agricultura precisa ser avaliada individualmente em cada local: a escolha da cultura é apenas parte da equação — a configuração do sistema também deve garantir que as culturas recebam radiação suficiente para manter níveis aceitáveis de produção. Ele defende a continuidade de experimentos de campo, em vez de depender de julgamentos preconcebidos. "A agricultura está mudando rapidamente, especialmente na resposta à seca", afirmou. "O agrovoltaico pode se tornar outro caminho viável, pelo menos sob condições climáticas específicas." As medições atualmente em andamento em Laterza e Scalea visam justamente fornecer dados para determinar em quais condições esse potencial pode ser realizado e como os sistemas agrovoltaicos devem ser projetados para equilibrar geração de energia e produção agrícola.
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