Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica apresenta agenda 2027-2030: 8 GW de armazenamento de energia, entre outros
De acordo com pt.wedoany.com-A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apresentou recentemente ao próximo governo federal uma proposta de agenda para o período de 2027 a 2030, com o objetivo de reduzir o desperdício de energia renovável, aumentar a flexibilidade e a confiabilidade do sistema elétrico, ampliar o acesso à energia limpa e transformar os abundantes recursos renováveis do Brasil em uma alavanca para atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento econômico do país.

Esta agenda está estruturada em três eixos principais: "Bateria Brasil", "Energia que Emprega" e "Sol para Todos". De acordo com as metas propostas, até 2030, o Brasil deverá contratar pelo menos 8 GW de sistemas de armazenamento de energia, expandir 18 GW em usinas solares de grande porte e ampliar o acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras. A agenda foi divulgada em 25 de agosto durante a feira Intersolar South America, realizada de 25 a 27 de agosto em São Paulo.
No eixo "Bateria Brasil", a Absolar defende a realização de leilões anuais de capacidade, mantendo a neutralidade tecnológica, para estabelecer um mercado sólido para sistemas de armazenamento e proporcionar maior previsibilidade aos investimentos no setor. A associação também propõe ampliar a integração entre baterias e geração fotovoltaica, abrangendo tanto sistemas novos quanto existentes de autoconsumo, bem como usinas solares de grande porte. Esta iniciativa visa enfrentar os principais desafios atuais do setor elétrico — o aumento do desperdício de energia renovável e a insuficiência de flexibilidade operacional. Somente em 2025, as perdas econômicas causadas pelo desperdício de energia renovável superaram 6 bilhões de reais, enquanto o setor ainda depende de termelétricas nos horários de pico de demanda. A Absolar considera que a introdução de sistemas de armazenamento tem importância estratégica, pois permite armazenar parte da energia atualmente desperdiçada para uso posterior, aumentando a flexibilidade e a eficiência do sistema. A proposta também aborda a equiparação da carga tributária das baterias à das energias renováveis, uma vez que a tributação atual sobre sistemas de armazenamento pode chegar a 84,8%, mais que o dobro da incidida sobre fontes renováveis.
A presidente do conselho de administração da Absolar, Barbara Rubim, afirmou: "Precisamos passar de um modelo em que parte da energia renovável é desperdiçada para um sistema que possa armazená-la e utilizá-la quando for mais necessário. A bateria é a chave tecnológica para proporcionar flexibilidade ao sistema, reduzir desperdícios e fortalecer a segurança energética, além de criar espaço para novas cadeias produtivas e bilhões de reais em novos investimentos."
No eixo "Energia que Emprega", a agenda propõe utilizar os abundantes recursos renováveis do Brasil como vantagem competitiva para atrair novos investimentos e fortalecer a economia nacional. A Absolar defende a criação de uma política nacional que incentive a instalação de indústrias eletrointensivas de baixo carbono, data centers, projetos de hidrogênio verde e outras atividades intensivas em energia limpa, destacando as oportunidades relacionadas à eletrificação do setor produtivo, à mobilidade elétrica e à exportação de eletricidade limpa para países vizinhos. Para concretizar esse potencial, a proposta inclui o planejamento da transmissão, direcionando a infraestrutura para regiões com maior disponibilidade energética e potencial para novos investimentos. A Absolar entende que a expansão coordenada da geração renovável e da rede elétrica é fundamental para transformar a competitividade energética do Brasil em atração efetiva de capital. Conforme o planejamento da agenda, os 18 GW adicionais de usinas solares de grande porte podem atrair 59,4 bilhões de reais em novos investimentos até 2030, para atender ao crescimento da demanda relacionada às novas cargas eletrointensivas, sem necessidade de novos subsídios. A expansão fotovoltaica também contribui para reduzir os custos associados ao fornecimento de energia em regiões isoladas e os encargos do setor elétrico, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
O CEO da Absolar, Rodrigo Sauaia, complementou: "O Brasil possui uma vantagem estratégica que poucos países têm: a capacidade de gerar eletricidade renovável competitiva em grande escala. O próximo passo é transformar essa abundância em vantagem econômica, atraindo indústrias, data centers, hidrogênio verde e novos negócios intensivos em energia limpa, além de oferecer eletricidade limpa e acessível aos parceiros comerciais da América Latina. Para isso, precisamos de planejamento de longo prazo e infraestrutura compatível com essa oportunidade."
O eixo "Sol para Todos" concentra-se na universalização do acesso à eletricidade por meio da combinação de energia fotovoltaica e armazenamento. A Absolar propõe a instalação de sistemas fotovoltaicos com baterias em 3 milhões de unidades consumidoras, sendo 500 mil em sistemas isolados. A iniciativa visa ampliar o acesso à energia limpa e confiável, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de soluções mais caras e poluentes. As medidas específicas incluem a realização de leilões anuais para sistemas isolados, com participação mínima de 50% de fontes renováveis, e a substituição de 100 mil geradores a diesel por sistemas fotovoltaicos com baterias, reduzindo o uso de combustíveis fósseis e os custos associados ao fornecimento de energia, além de diminuir a poluição e o ruído para as comunidades locais.
Sauaia acrescentou: "Levar energia fotovoltaica e baterias a milhões de consumidores, mesmo em regiões remotas, é uma oportunidade de combinar inclusão energética, redução de custos e sustentabilidade. Ao expandir a geração distribuída, dando mais liberdade e autonomia às comunidades locais, podemos substituir geradores a diesel mais caros e poluentes por sistemas renováveis com armazenamento, gerando enormes benefícios econômicos e ambientais."
A Absolar afirma que o ponto comum entre os três eixos é a redução dos custos estruturais do sistema elétrico e a melhor utilização dos recursos renováveis já disponíveis no país, sem acrescentar novos encargos às contas de energia. Rubim concluiu: "Não estamos adicionando novos custos aos consumidores, mas sim adotando medidas para reduzir ineficiências e aproveitar melhor os recursos que o Brasil já possui. O país pode transformar suas energias renováveis em mais investimentos, empregos, competitividade, segurança energética e sustentabilidade. Esta é uma agenda nacional que deve permear os próximos anos e orientar o planejamento do setor elétrico brasileiro."
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