Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram um novo método para destruir células-tronco cancerígenas, alcançando avanços significativos em estudos sobre câncer colorretal. Utilizando inteligência artificial, eles identificaram alvos terapêuticos com precisão e “reprogramaram” as células-tronco cancerígenas para que se autodestruíssem. Este método atua apenas sobre as células cancerígenas, sem afetar os tecidos ao redor, oferecendo uma alternativa potencialmente mais segura e precisa que os tratamentos atuais. Os resultados foram publicados em 20 de outubro na revista Cell Reports Medicine.
As células-tronco cancerígenas, “camaleônicas” e escondidas nos tumores, sempre representaram um desafio no tratamento do câncer. Elas podem escapar de terapias existentes, contribuir para recidivas e metástases, e resistir até mesmo às terapias mais avançadas.
Para enfrentar essas células resistentes, a equipe desenvolveu uma ferramenta de aprendizado de máquina chamada CANDiT (Cancer-Associated Node Differentiation Targeting). O CANDiT identifica novos alvos terapêuticos com base no genoma específico de cada tumor. A ferramenta parte de um gene chave, essencial para o crescimento normal das células saudáveis, mas geralmente ausente em células cancerígenas agressivas. Em seguida, analisa redes genéticas relacionadas e propõe alvos terapêuticos que podem restaurar a saúde celular por meio da regulação dessas redes.
Os pesquisadores escolheram o gene CDX2, crucial no câncer colorretal, como ponto de partida. Usando o CANDiT, eles escanearam mais de 4.600 amostras tumorais diferentes. A análise revelou inesperadamente um novo alvo terapêutico: a proteína PRKAB1, que promove a sobrevivência celular sob estresse. Ao ativar a PRKAB1 com medicamentos existentes, a função do gene CDX2 foi restaurada nas células-tronco do câncer colorretal.
No entanto, essas células-tronco cancerígenas não suportaram perder sua “identidade cancerígena”. Em vez de se manterem em um estado normal, elas optaram pela autodestruição.
Para validar o potencial clínico, a equipe testou o método em organoides derivados de pacientes. Eles também desenvolveram uma assinatura genética capaz de prever a resposta do paciente ao tratamento com base em padrões de ativação gênica. Simulações com mais de 2.100 pacientes mostraram que a restauração da função do gene CDX2 poderia reduzir em 50% o risco de recidiva e mortalidade em pacientes com câncer colorretal.













