Os dispositivos eletrônicos estão passando de sistemas rígidos para plataformas adaptativas, e pesquisadores da Universidade de Binghamton estão desenvolvendo um material compósito de “metal ativo” incorporado com esporos bacterianos dormentes. Essa inovação abre novos caminhos para a integração dinâmica entre sistemas eletrônicos e biológicos. A equipe do professor Seokheun “Sean” Choi publicou seus resultados na revista Advanced Functional Materials, revelando o potencial revolucionário dos compósitos de metal líquido ativo no campo da bioeletrônica.
Tradicionalmente, projetos de bioeletrônica utilizam materiais de polímeros condutores, mas a integração de metais líquidos apresenta desafios. Sua natureza hidrofóbica dificulta a adesão aos substratos eletrônicos, e a exposição ao ar leva à formação de uma camada de óxido, que limita o fluxo de elétrons e prejudica a comunicação entre sistemas. Segundo o professor Choi, os polímeros têm condutividade inferior à dos metais, e dispositivos bioeletrônicos muitas vezes operam em ambientes severos, exigindo capacidade de autorreparação. Para isso, bactérias geradoras de eletricidade se tornaram essenciais — ele combinou metal líquido com esporos dormentes de Bacillus subtilis para criar um novo tipo de material compósito.
“Os grupos funcionais químicos na superfície dos esporos interagem com a camada de óxido do metal líquido, gerando uma forte atração que rompe essa camada e restaura a condutividade metálica”, explicou Choi.
Esse material compósito pode ser facilmente absorvido por substratos como o papel, mantendo as excelentes propriedades do metal. À medida que os esporos germinam, a condutividade elétrica aumenta. Ainda mais notável é sua capacidade de autorreparação — quando danificado, o material pode preencher autonomamente as falhas, oferecendo uma solução para circuitos difíceis de substituir.
Atualmente, o material ainda requer experimentos adicionais para controlar a ativação dos esporos e avaliar sua estabilidade a longo prazo. No futuro, esse tipo de material poderá permitir que dispositivos vestíveis ou implantáveis se conectem de forma segura e direta aos tecidos humanos, resolvendo problemas de comunicação entre sistemas eletrônicos e biológicos.
“As bactérias geradoras de eletricidade podem se integrar perfeitamente a eletrodos vivos, conectando os dois sistemas”, concluiu o professor Choi.













