Pesquisadores conseguiram modificar uma classe de proteínas, conferindo-lhes a capacidade de transmitir e armazenar energia elétrica. Essa conquista abre um novo caminho para o desenvolvimento de materiais condutores sustentáveis, eficientes e biocompatíveis. Além de apresentarem alta estabilidade, esses materiais proteicos são fáceis de processar e possuem grande potencial para aplicações industriais. O estudo, liderado pelos professores Aitziber L. Cortajarena, Reyes Calvo e Maica Morant, faz parte do projeto e-PROT e foi publicado na revista Advanced Materials.
As proteínas utilizadas na pesquisa foram projetadas em laboratório e montadas como blocos de Lego, a partir da repetição de pequenas unidades estruturais. Essa arquitetura modular permite adicionar funções específicas sem alterar o conjunto, possibilitando personalização.
Para tornar as proteínas altamente condutoras, a equipe realizou modificações genéticas no DNA que contém as instruções para sua síntese. As proteínas modificadas aumentaram o movimento de íons dentro do material, o que permitiu sua integração bem-sucedida em dispositivos de armazenamento de energia, capazes de armazenar e liberar eletricidade rapidamente.
Esses materiais condutores à base de proteínas podem substituir os condutores tradicionais, tornando baterias e supercapacitores mais seguros para o corpo humano. No campo da bioeletrônica, as proteínas condutoras despertam especial interesse em dispositivos como marcapassos, sensores implantáveis e eletrodos cerebrais.
Essa pesquisa não apenas abre portas para o desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia seguros, sustentáveis e biocompatíveis, mas também aponta para um futuro em que a energia seja armazenada em materiais biodegradáveis e ecológicos.
Nesse cenário, celulares, rastreadores de atividade física e outros dispositivos portáteis poderiam funcionar com energia proveniente desses materiais inovadores. A ciência está avançando em ritmo acelerado para transformar essa visão em realidade — e os materiais proteicos condutores são, sem dúvida, uma das peças-chave dessa transformação.











