Um estudo publicado na revista Environmental Research Letters pela Universidade Rutgers alerta que a tecnologia de intervenção por aerossóis estratosféricos pode impactar o valor nutricional das principais culturas agrícolas mundiais. A pesquisa, baseada em modelos climáticos e agrícolas, indica que a injeção de dióxido de enxofre (SO₂) na estratosfera — que forma uma camada de aerossóis refletindo parte da luz solar — pode alterar o teor de proteínas em milho, arroz, trigo e soja.
As simulações mostraram que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) tende a reduzir o conteúdo de proteína das plantas, enquanto o aquecimento da temperatura global exerce um efeito oposto, elevando-o. A técnica de intervenção por aerossóis, ao conter o aquecimento, impede que o efeito compensatório da temperatura atenue o impacto do CO₂. O primeiro autor do estudo, Brendan Clarke, explicou:“A intervenção por aerossóis estratosféricos não é uma solução perfeita contra as mudanças climáticas — ela cria um novo estado climático em que o CO₂ e a temperatura da superfície deixam de estar diretamente correlacionados.”
A análise dos modelos também revelou diferenças regionais significativas: algumas áreas agrícolas seriam mais afetadas do que outras, especialmente regiões onde a ingestão de proteínas já é insuficiente, que poderiam enfrentar maior risco nutricional.
O coautor Alan Robock, professor da Universidade Rutgers, observou:“Estamos quantificando os riscos e benefícios potenciais para oferecer subsídios científicos às futuras decisões políticas.”
O estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade Rutgers, Universidade Cornell e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos (NCAR).
Os autores recomendam novos estudos de campo para aprimorar os modelos e avaliar com mais precisão os impactos abrangentes dessa técnica sobre os sistemas agrícolas. Essa pesquisa fornece uma nova perspectiva sobre os possíveis efeitos da geoengenharia climática e reforça a necessidade de um quadro mais abrangente de avaliação ambiental para o uso responsável dessas tecnologias.











