Uma equipe internacional de pesquisadores publicou seus resultados no Journal of Biotechnology, explorando novas estratégias para aumentar a resistência de culturas a pragas por meio da tecnologia de edição genética. O estudo foi liderado em conjunto pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e pelo Centro de Genômica de Mudanças Climáticas, com foco no potencial de aplicação de inibidores de α-amilase no controle de pragas.
Os ancestrais das culturas desenvolviam mecanismos de defesa naturais produzindo inibidores de α-amilase, tornando o amido presente nas sementes de difícil digestão para as pragas. A equipe de pesquisa descobriu que a tecnologia de edição genética permite regular com precisão os genes das plantas, possibilitando o cultivo de variedades melhoradas capazes de produzir grandes quantidades desses inibidores. Marcos Fernando Basso, pesquisador do GCCRC e primeiro autor do artigo, afirma: “O uso da tecnologia CRISPR para edição genética nos permite aumentar a produção desses inibidores ou torná-los mais ativos nas plantas-alvo.”
Em comparação com os métodos tradicionais de transgenia, a edição genética modifica sequências genéticas próprias das plantas, possibilitando o desenvolvimento de novas variedades que não são classificadas como transgênicas. Essas culturas apresentam vantagens claras em termos de aprovação regulatória e aceitação no mercado. Estudos mostram que pragas como o gorgulho-do-feijão, o bicudo-do-algodoeiro e o broca-do-fruto-do-café são sensíveis aos inibidores de α-amilase.
Basso acrescenta: “Também avançamos na proteção da propriedade intelectual por meio de pedidos e concessão de patentes.” A equipe de pesquisa acredita que, garantindo que não haja impacto na digestão de humanos e animais, a edição genética oferece novas possibilidades para o desenvolvimento de cultivos resistentes a pragas. Esse método permite aumentar a eficácia contra pragas específicas e, ao mesmo tempo, evita os desafios de aceitação de mercado enfrentados pelas tecnologias tradicionais de transgenia.
Com o contínuo avanço da edição genética, os pesquisadores continuarão explorando seu potencial no setor agrícola, oferecendo soluções mais precisas e eficazes para a proteção de culturas.











