A equipe de pesquisa do Brigham Hospital, do Hospital Geral de Massachusetts, modificou um vírus herpes simples (HSV-1) para que ele pudesse estimular o sistema imunológico a atacar células de glioblastoma. Este estudo abriu novos caminhos para a imunoterapia do glioblastoma.
O glioblastoma é um tumor cerebral de difícil tratamento, cujo microambiente geralmente suprime a resposta imunológica. Para superar essa barreira, os pesquisadores realizaram engenharia genética no vírus HSV-1, permitindo que ele reconheça de forma específica marcadores presentes na superfície das células de glioblastoma. O vírus modificado é capaz de expressar diversas moléculas imunomoduladoras, alterando o microambiente tumoral. Além disso, a equipe adicionou mutações de segurança para prevenir a infecção de neurônios saudáveis e incorporou genes detectáveis por PET, permitindo o rastreamento do vírus. Os resultados foram publicados na revista Nature Cancer.
O autor sênior do estudo, Dr. Francisco J. Quintana, do Departamento de Neurologia do Brigham Hospital, afirmou: “Desenvolvemos um vírus oncolítico seguro e rastreável, com forte atividade citotóxica e imunestimuladora, adequado para a imunoterapia do glioblastoma. Esta plataforma oferece uma abordagem multifacetada — direcionamento preciso ao tumor, entrega local de cargas imunoterapêuticas e um sistema de segurança embutido que protege as células cerebrais normais.”
Em modelos pré-clínicos, uma única injeção do vírus aumentou a atividade de múltiplas células imunológicas no microambiente tumoral e melhorou a sobrevida geral dos animais. Nos camundongos tratados, houve maior infiltração de células T antitumorais e redução de marcadores de exaustão dessas células.
Os pesquisadores destacaram que os próximos passos envolverão avaliar a segurança e eficácia do vírus oncolítico em ensaios clínicos em humanos, bem como explorar ajustes na plataforma para aplicação em outros tipos de glioblastoma e em estudos de imunoterapia para cânceres relacionados.













