O Brasil está pesquisando a tecnologia de extração com fluido supercrítico para agregar valor ao seu lúpulo nativo
2025-12-05 17:03
Fonte:FAPESP
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O Brasil é um dos principais produtores e consumidores de cerveja do mundo, mas seu lúpulo depende historicamente de importações. Para aumentar a viabilidade e o valor da produção local de lúpulo, pesquisadores do estado de São Paulo estão explorando a aplicação da tecnologia de extração supercrítica com dióxido de carbono.Este ingrediente determina o aroma e o sabor da cerveja.

O projeto é conduzido pelo Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em parceria com a empresa Atlântica Hops, produtora de lúpulo localizada em Juquiá, no Vale do Ribeira. A pesquisa visa obter de forma eficiente compostos aromáticos e bioativos do lúpulo cultivado localmente por meio de tecnologia de extração avançada. Os resultados do estudo foram publicados na revista "Biomass Conversion and Biorefinery".

Os métodos tradicionais geralmente processam o lúpulo em pellets para venda, enquanto a tecnologia de extração supercrítica pode convertê-lo em óleo concentrado. Levi Pompermayer Machado, professor da UNESP e pesquisador do projeto, explica: "No Brasil, o lúpulo é normalmente vendido para cervejarias na forma de pellets. No entanto, com esta tecnologia, o lúpulo pode ser comercializado como óleo, o que não só traz vantagens logísticas, mas também resulta em um desempenho muito superior na produção de cerveja em comparação com o método tradicional."

O estudo comparativo mostrou que enquanto os métodos tradicionais de extração por solvente ou vapor obtêm uma taxa de extração de ácidos alfa (principal fonte de amargor da cerveja) de cerca de 9%, o método de extração supercrítica com CO₂ pode aumentar o teor de ácidos alfa para 72%. Este método também preserva melhor as características de sabor do lúpulo e pode aumentar a eficiência da produção de cerveja em aproximadamente 20%. Machado destaca: "Embora a eficiência e a qualidade tenham aumentado, as características do terroir são quase completamente preservadas."

A tecnologia segue os princípios da química verde, utilizando CO₂ em estado supercrítico como solvente. Após o processo, o CO₂ pode ser recuperado e reutilizado, evitando resíduos químicos e emissões atmosféricas. Machado afirma: "Isso torna o método mais eficiente e ambientalmente responsável."

Além de atender à indústria cervejeira, os produtos extraídos por esta tecnologia e a biomassa residual têm potencial para aplicação em diversas áreas, como cosméticos e produtos farmacêuticos, contribuindo para a construção de um modelo de economia circular mais sustentável para a produção de lúpulo. Os pesquisadores acreditam que a promoção de tais culturas de alto valor agregado oferece aos produtores agrícolas uma opção para enfrentar as mudanças climáticas e acessar oportunidades de mercado diversificadas, mesmo em áreas de cultivo menores.

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