Um estudo farmacocinético realizado na Estônia com 114 participantes de um biobanco confirmou, pela primeira vez em ensaios clínicos, variações genéticas previamente não identificadas nas enzimas metabolizadoras de fármacos CYP2C19 e CYP2D6, que impactam significativamente o processamento de medicamentos no organismo. Essas descobertas destacam a importância de ir além dos marcadores farmacogenéticos comuns e podem contribuir para aprimorar a precisão da medicina personalizada.

As enzimas do citocromo P450, como CYP2C19 e CYP2D6, são responsáveis pelo metabolismo de uma ampla gama de fármacos clínicos. No entanto, muitas variações raras ou estruturais permanecem pouco caracterizadas, dificultando a previsão precisa de fenótipos metabólicos individuais. Neste estudo, pesquisadores da Universidade de Tartu e do Centro Médico do Norte da Estônia administraram por via oral omeprazol e metoprolol, dois fármacos-teste, a voluntários portadores de variações raras ou novas e estimaram a atividade enzimática medindo as concentrações plasmáticas do fármaco e de seus metabólitos.
Os resultados mostraram que novos alelos de deleção no gene CYP2C19 estavam intimamente associados a fenótipos de baixo metabolismo, enquanto o alelo CYP2D6*124 estava associado à redução da atividade enzimática. Além disso, observou-se que as interações medicamentosas alteram ainda mais os fenótipos metabólicos. A professora Lily Milani, diretora do Biobanco da Estônia, afirmou: "Os novos dados demonstram que a classificação dos fenótipos metabólicos pode ser aprimorada por meio do sequenciamento HiFi de leitura longa e de estratégias fenotípicas, levando em consideração as interações medicamentosas."
Este estudo destaca as limitações dos testes farmacogenéticos tradicionais e ressalta a importância de combinar a análise fenotípica farmacocinética in vivo com tecnologias avançadas de sequenciamento para compreender com mais precisão como as variações genéticas influenciam o metabolismo de fármacos.













