Um mistério de 60 anos sobre a magnetosfera lunar foi recentemente resolvido. Pesquisadores descobriram que certas regiões da superfície lunar podem apresentar um aumento súbito no campo magnético, conhecido como "Enhancements of the External Magnetic Field of the Moon" (LEMEs), cuja intensidade pode chegar a 10 vezes a do campo magnético de fundo. Esta descoberta deriva de um novo estudo publicado por Shu-Hua Lai e seus colegas da Universidade Nacional Central de Taiwan na revista The Astrophysical Journal Letters.
O estudo explica pela primeira vez que os LEMEs podem ser causados por um novo tipo de instabilidade de Kelvin-Helmholtz (KHI). A KHI é um processo físico que ocorre quando dois fluidos se movem em velocidades diferentes. Na Lua, o vento solar colide com as mini-magnetosferas formadas por materiais magnéticos na superfície, mas os modelos tradicionais consideravam a KHI limitada aos limites, incapazes de explicar as observações do campo magnético em altas altitudes.
A equipe da Dra. Shu-Hua utilizou métodos matemáticos não lineares para simular a KHI, refletindo com maior precisão as interações nos limites. Eles realizaram simulações de magnetohidrodinâmica não linear, estabelecendo três cenários com diferentes velocidades do vento solar. O cenário de vento de alta velocidade produziu um estado de KHI dominado por ondas de choque, formando ondas de choque magnéticas que se propagam para cima, coincidindo com os dados de LEMEs coletados por espaçonaves.
O cenário de vento de baixa velocidade, por sua vez, gerou um estado de KHI dominado por vórtices, amplificando o campo magnético local em 30 a 40 vezes. As simulações mostraram que, mesmo nesse estado, as ondas ainda podem se propagar para cima, gerando ondas secundárias em altas altitudes. Esses resultados são consistentes com os dados observacionais da sonda Lunar Prospector de 1998, confirmando que a KHI não linear pode explicar o fenômeno de amplificação do campo magnético.
Esta pesquisa não apenas resolve o mistério de longa data do campo magnético lunar, mas também fornece pistas para outros corpos celestes. Os pesquisadores apontam que mecanismos semelhantes podem ocorrer em Marte, onde a missão MAVEN já observou o desenvolvimento de KHI no ambiente de plasma marciano. O novo modelo de interação de plasma por KHI ajuda a compreender o ambiente espacial de corpos fracamente magnetizados no Sistema Solar.
Detalhes da publicação: Autor: Andy Tomaswick, Universe Today; Título: A 60-year old mystery about the moon's magnetosphere is finally solved; Publicado em: The Astrophysical Journal Letters (2026).











