Uma equipa de investigação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) fez um avanço significativo no estudo de materiais supercondutores, observando diretamente pela primeira vez vibrações à escala quântica no interior de um material através de um novo microscópio de terahertz. Este resultado, publicado na revista *Nature*, fornece uma nova perspetiva para compreender a supercondutividade.

A luz de terahertz situa-se entre as micro-ondas e a luz infravermelha. A sua frequência coincide com as vibrações atómicas, mas o seu comprimento de onda é longo, tornando tradicionalmente difícil focá-la à escala microscópica. Cientistas do MIT desenvolveram um novo microscópio de terahertz que utiliza emissores de eletrões de spin para comprimir o feixe de luz, superando o limite de difração e tornando possível a deteção de características quânticas. Esta ferramenta foi usada para estudar o óxido de cobre de bismuto-estrôncio-cálcio (BSCCO), observando os eletrões supercondutores a oscilar na frequência de terahertz na forma de um superfluido.
Nuh Gedik, professor de Física Donner no MIT, afirmou: "Este novo microscópio permite-nos agora ver um modo de eletrões supercondutores que nunca foi visto antes." O autor principal do estudo, Alexander von Hoegen, acrescentou: "Atualmente, há um grande impulso para elevar a tecnologia Wi-Fi ou de telecomunicações para o próximo nível, que é a frequência de terahertz. Se tiveres um microscópio de terahertz, podes estudar como a luz de terahertz interage com dispositivos microscópicos minúsculos que poderão servir como futuras antenas ou recetores." A equipa inclui colaboradores de instituições como a Universidade de Harvard e o Instituto Max Planck.
Esta descoberta tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de supercondutores à temperatura ambiente e promover o avanço de sistemas sem fios de frequência de terahertz, permitindo transmissões de dados mais rápidas. Von Hoegen destacou que o microscópio de terahertz pode amplificar ressonantemente fenómenos físicos como vibrações da rede cristalina, abrindo uma nova janela para a investigação quântica. O estudo recebeu apoio do Departamento de Energia dos EUA e da Fundação Gordon e Betty Moore.
Detalhes da Publicação: Autores: Alexander von Hoegen, Tommy Tai, Clifford Allington, Matthew Yeung, Jacob Pettine, Alexander Kossak, Byunghun Lee, e Geoffrey Beach, juntamente com colaboradores da Universidade de Harvard, do Instituto Max Planck para a Estrutura e Dinâmica da Matéria, do Instituto Max Planck para a Física de Sistemas Complexos, e do Laboratório Nacional de Brookhaven; Título: «MIT scientists finally see hidden quantum “jiggling” inside superconductors»; Publicado em: *Nature* (2026).











