Globalmente, centenas de milhões de toneladas de resíduos de beneficiamento de cromita são gerados anualmente. O armazenamento de longo prazo não só ocupa terras, mas também causa um enorme desperdício de recursos de metais raros. Uma equipe conjunta da Universidade Satbayev, no Cazaquistão, e do Laboratório Nacional de Metalurgia do CSIR, na Índia, desenvolveu uma rota sequencial de processamento termoquímico-hidrometalúrgico, alcançando uma taxa de extração de cromo de 98-99% a partir dos resíduos e um enriquecimento significativo de metais do grupo da platina na fase residual — com teor local de platina de até 3,8% em peso. Este resultado inovador foi publicado como artigo de capa no volume 16, número 4, de 2026, da revista Minerals, periódico de destaque da MDPI.
Os resíduos de beneficiamento de cromita (CBTs) representam tanto um grande desafio ambiental quanto uma fonte abundante de metais valiosos não recuperados. Cerca de 84% das reservas globais de cromita estão concentradas na África do Sul, Cazaquistão e Zimbábue, e o beneficiamento em larga escala inevitavelmente gera enormes quantidades de resíduos.
Rota do processo: três etapas, cada uma com seu foco
A equipe de pesquisa desenvolveu uma rota sequencial de processamento termoquímico-hidrometalúrgico para os CBTs gerados pela empresa de mineração e beneficiamento Donskoy, no Cazaquistão:
Sinterização alcalina com carbonato de sódio - lixiviação com água: Após calcinação conjunta com Na₂CO₃ a 1000°C, seguida de lixiviação com água, 98-99% do cromo é transferido para a solução, enquanto a fase residual é enriquecida com metais não ferrosos, elementos de terras raras e metais do grupo da platina (PGMs);
Torrefação por sulfatação - lixiviação com água: Promove a dissolução de magnésio, níquel e elementos de terras raras;
Enriquecimento residual de metais do grupo da platina: Devido à baixa solubilidade da platina e do paládio nas condições aplicadas, eles permanecem predominantemente na fase sólida.
Mecanismo microscópico: Enriquecimento local de metais do grupo da platina a 3,8% em peso
Análises por microscopia eletrônica de varredura e microssonda eletrônica revelaram uma descoberta crucial: os metais do grupo da platina se enriquecem seletivamente em microinclusões contendo níquel, com teor local de platina nas zonas enriquecidas com níquel de até 3,8% em peso.
Resíduos passam de "passivo ambiental" a "recurso estratégico de metais"
Essa estratégia de processamento sequencial alcançou a recuperação eficiente de cromo e o enriquecimento significativo de metais do grupo da platina na fase residual, demonstrando o enorme potencial dos CBTs como um recurso secundário para a recuperação integrada de múltiplos metais. Este estudo fornece um paradigma tecnológico replicável para a utilização como recurso de resíduos similares de beneficiamento mineral em todo o mundo, com grande importância para garantir a segurança da cadeia de fornecimento de metais críticos.
