De acordo com pt.wedoany.com-Os principais produtores de agregados de Santa Catarina reuniram-se recentemente em Itajaí, Brasil, para discutir conjuntamente os rumos do desenvolvimento económico e tecnológico do setor. O evento, organizado pela Metso em parceria com o seu distribuidor local, Linck Máquinas, contou com a participação de proprietários de mineradoras de agregados e gestores de plantas, que debateram temas como as perspetivas económicas, a otimização de plantas, a digitalização e a sucessão empresarial, entre outras áreas estratégicas.

A agenda da conferência refletiu um setor em fase de transformação. Embora a urbanização e o investimento em infraestrutura impulsionem perspetivas positivas, os participantes salientaram que a competitividade depende cada vez mais da transição de um modelo operacional baseado na experiência para um modelo orientado por dados, que permita alcançar previsibilidade e eficiência quantificável.
A conferência foi aberta com uma análise macroeconómica de Daniel Lavarda, especialista do HSBC. Ele destacou a forte correlação entre o desempenho do setor de agregados e os principais motores do PIB, especialmente o consumo, o investimento e a construção. O especialista considerou que, embora os fundamentos económicos sustentem um nível de procura contínuo, o ambiente setorial exige prudência, uma vez que as incertezas relacionadas com as eleições podem influenciar as decisões de investimento a curto prazo. A combinação de urbanização, necessidades de infraestrutura e resiliência setorial torna os agregados um segmento com boas perspetivas. Os empresários presentes consideraram que existe um ciclo favorável, mas que este exige maior disciplina operacional e agilidade na tomada de decisões.
Os participantes concordaram, de forma geral, que a tecnologia já não é o principal obstáculo; o desafio reside na adoção operacional e na mudança cultural. A digitalização, que abrange a monitorização em tempo real, a integração de sistemas e a tomada de decisão baseada em dados, é impulsionada por quatro fatores estruturais: as exigências das alterações climáticas em termos de eficiência energética e hídrica, os avanços na digitalização e eletrificação operacional, a importância crescente da economia circular e a necessidade de uma utilização mais eficaz dos recursos naturais. Os especialistas da Metso salientaram que as operações futuras tenderão para uma maior previsibilidade, menos intervenção manual e o uso intensivo de inteligência incorporada nos fluxos de produção.
A nível técnico, a otimização das plantas de britagem foi apontada como uma alavanca direta de rentabilidade. Hugo Athayde, Gestor de Soluções da Metso, salientou que o setor ainda enfrenta problemas de instabilidade operacional, que impactam diretamente os custos finais. Ele resumiu: "Onde há instabilidade, há desperdício; onde há controlo, há resultados." As operações tradicionais caracterizam-se por produção intermitente, elevada carga circulante nos equipamentos e um modelo de manutenção corretiva do tipo "reparar quando avaria", o que provoca desgaste irregular dos componentes, reduz a vida útil e aumenta o custo por tonelada. Em contraste, uma planta otimizada alcança produção contínua, controlo em tempo real e melhor aproveitamento dos ativos, resultando em menor consumo de energia, maior vida útil dos componentes e custos operacionais reduzidos. Neste contexto, o software Bruno Process foi apresentado como uma ferramenta central para simulação e otimização de circuitos. Esta solução permite identificar estrangulamentos, estabilizar a alimentação dos equipamentos e garantir o funcionamento dentro dos intervalos ideais, impactando diretamente a produtividade e a qualidade do produto final. Os casos apresentados na conferência demonstraram ganhos reais obtidos em operações com fluxos otimizados.
A evolução para operações mais eficientes passa, inevitavelmente, pela automação. Na sua apresentação, o especialista da Metso, Rafael A. Rodrigues, sublinhou que a análise de dados é um fator-chave para decisões operacionais mais precisas. Ele apontou que um dos principais estrangulamentos nas plantas é a manutenção inadequada, e que a falta de controlo sobre variáveis críticas como temperatura, lubrificação e carga reduz a vida útil dos equipamentos e aumenta as paragens não planeadas. A automação não só aumenta a produtividade, como também melhora a disponibilidade dos equipamentos, reduz a variabilidade do processo, garante a padronização da qualidade do produto final e diminui a dependência de mão de obra especializada. Rodrigues concluiu que, para atender às crescentes exigências do mercado quanto à granulometria e consistência dos agregados, o controlo operacional está a tornar-se um diferencial competitivo direto, assegurando um menor custo por tonelada.
Como complemento à agenda técnica, a Linck apresentou a Powertrack, uma linha de equipamentos móveis originária da China, já integrada no portefólio da Metso. Esta solução foi posicionada como uma alternativa competitiva para produtores que procuram maior flexibilidade operacional e rápida implementação, oferecendo vantagens como uma excelente relação custo-benefício, menor investimento inicial, facilidade de mobilização e versatilidade em múltiplas aplicações. Segundo a empresa, este modelo atende principalmente às necessidades de operações que exigem agilidade e capacidade de expansão, com um controlo de investimento mais rigoroso.
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