Associações mineiras de quatro países latino-americanos apelam à estabilidade jurídica; projetos minerais no Peru somam 63 mil milhões de dólares
2026-06-02 08:59
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De acordo com pt.wedoany.com-Representantes de associações da indústria mineira de quatro países da América Latina apelaram recentemente para que os países da região priorizem a estabilidade jurídica e a eficiência regulatória, de modo a aproveitar as oportunidades na competição global por minerais críticos. Durante o "XVI Seminário Internacional de Mineração", organizado pela Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia (SNMPE), líderes do setor do Peru, Chile, Brasil e Argentina concordaram que a transição energética e digital representa uma janela histórica para a América do Sul, mas que a riqueza mineral não garante o sucesso se as condições institucionais internas forem desfavoráveis.

A diretora executiva da SNMPE, Ángela Grossheim, destacou que o Peru possui 8 dos 17 minerais críticos necessários globalmente, com 65 projetos e uma carteira de investimentos de 63 mil milhões de dólares, dos quais 75% correspondem ao cobre. Ela enfatizou que, beneficiado pelas melhorias no Porto de Chancay e no Porto de Callao, bem como pela abertura total ao capital estrangeiro apoiada por acordos comerciais internacionais, o Peru tem uma posição estratégica para se tornar uma ponte na América Latina. O gerente geral do Conselho de Mineração, Carlos Urenda, citou o Chile como exemplo, afirmando que a regulamentação excessiva e os processos de licenciamento complexos são os principais obstáculos ao avanço dos projetos. "Não temos burocracia; temos processos de licenciamento. As leis ambientais, as licenças setoriais e as decisões judiciais dificultam o avanço dos projetos." Ele acrescentou que a rigidez do mercado de trabalho e os custos de energia enfraquecem a competitividade, sendo urgente executar os projetos já preparados.

O diretor de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Rinaldo Mancin, apontou que a falta de coordenação e o desalinhamento entre o Estado e o setor não são exclusivos do Peru ou do Chile. Embora os Estados Unidos e a Europa estejam dispostos a financiar projetos de lítio e terras raras, a mineração permanece invisível nas políticas públicas do Brasil. Mancin questionou desafios como a proposta de maior controle estatal sobre o território e afirmou que o Brasil possui boas reservas e potencial mineral, mas carece de acesso a financiamento e tecnologia. Para impulsionar novos setores, é necessário oferecer incentivos; o desafio está em manter a competitividade e evitar disputas políticas. Em contraste, o presidente da Câmara Argentina de Empresários Mineiros (CAEM), Roberto Cacciola, apresentou a abordagem da Argentina, que busca superar obstáculos através de reformas regulatórias agressivas, incluindo avanços no lítio e perspectivas para o cobre, graças a instrumentos recentes que atraem capital de longo prazo. O Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) traz segurança aos investidores, permitindo-lhes desenvolver investimentos sem restrições, algo crucial considerando o histórico de descumprimentos. A Lei dos Glaciares reforçou os objetivos de proteção, mas concedeu poder às províncias no terreno.

Os representantes presentes chegaram a um consenso sobre questões-chave nas agendas de cada país, destacando a necessidade de uma liderança clara e de uma revisão dos processos de licenciamento para coordenar as diferentes entidades públicas. No caso do Peru, atualmente 29 órgãos públicos estão envolvidos, sendo necessárias mais de 260 licenças para iniciar um projeto. Diante desses obstáculos, os líderes do setor do Peru, Argentina, Chile e Brasil enfatizaram a necessidade de manter políticas totalmente abertas e transparentes para todos os mercados internacionais, sem viés ideológico, concentrando as exigências de seleção de capital estritamente em elevados padrões socioambientais para garantir a sustentabilidade das operações.

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