De acordo com pt.wedoany.com-O Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), divulgado pelo Ecossistema Sienge, mostra que, após meses de estabilidade e até mesmo queda de alguns materiais, o setor da construção civil brasileira registrou uma virada na trajetória de preços em março e abril de 2026. Até fevereiro, quatro dos cinco principais insumos monitorados pelo índice mantinham preços estáveis ou em queda, com exceção do fio de cobre, que continuava sob pressão. Em março, influenciado por reajustes de empresas brasileiras e pela volatilidade dos preços das commodities globais de energia e metais, a tendência de alta se consolidou gradualmente; em abril, os preços subiram ainda mais, confirmando a reversão do ciclo de baixa.

Os dados da pesquisa mostram que março foi o primeiro mês em que a maioria dos principais materiais de construção registrou inflação mensal. O cimento subiu 1,28% em todo o país, revertendo as pequenas quedas de janeiro (-0,14%) e fevereiro (-0,33%). O fio de cobre subiu 2,67%, acumulando alta de 28,63% em 12 meses, dando continuidade à tendência de alta iniciada em agosto de 2025. A argamassa subiu 0,71%, mas ainda acumula deflação de 7,21% em 12 meses. As tintas praticamente não se alteraram, com leve alta de 0,05%. O preço do ferro/aço caiu 0,29% no mês, mantendo a estabilidade observada desde o início do ano. Em abril, a alta se intensificou: os quatro insumos monitorados subiram simultaneamente. O cimento disparou 4,16%, atingindo o nível mais alto da série recente; o fio de cobre continuou sob pressão, subindo 4,32%, influenciado por fatores estruturais dos mercados internacional de metais e energia. A argamassa e as tintas subiram 0,86% e 1,39%, respectivamente, enquanto o preço do aço se manteve estável, com leve alta de 0,04%.
Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, afirmou que o aumento generalizado dos custos dos materiais de construção era esperado, decorrente do impacto do cenário geopolítico. A situação internacional continua pressionando os custos da construção, caracterizada por volatilidade dos preços do petróleo e manutenção das commodities metálicas em patamares elevados, gerando impactos contínuos nas cadeias industriais dependentes de insumos básicos. A gerente destacou que o IPMC confirma as tendências observadas no mercado, como o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) da FGV, que subiu 1,04% em abril e acumula alta de 6,28% em 12 meses.
O IPMC é desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, utiliza a metodologia da Cica Rev Consultoria e conta com o apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O índice monitora mensalmente esses insumos, cujos custos podem representar até 55% do custo total dos materiais de construção. O modelo estatístico visa medir a variação média dos preços dos insumos básicos de construção em diferentes regiões do Brasil. O índice utiliza técnicas avançadas de processamento de dados e inteligência artificial para garantir a precisão, representatividade e confiabilidade dos resultados, além de classificar automaticamente os insumos e extrair características relevantes das descrições dos produtos. A validação dos resultados é calculada dentro de um intervalo de confiança de 95%, garantindo a confiabilidade estatística das estimativas mensais de cada insumo.
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