De acordo com pt.wedoany.com-No Peru, um projeto de mineração leva cerca de 40 anos desde a exploração até a produção, tornando o país um dos mercados mais demorados da região para o desenvolvimento mineral. De acordo com estimativas do Instituto Peruano de Economia (IPE), quase 60% desse tempo é concentrado nas fases de exploração e estudo de viabilidade.

Durante o XVI Seminário Internacional de Mineração, Andrés Obrecht, vice-presidente da Ausenco Perú, destacou que uma gestão mais integrada desde as fases iniciais pode reduzir significativamente esses ciclos e aumentar a viabilidade dos projetos. Ele afirmou que um projeto bem gerenciado pode ser desenvolvido em cerca de 15 anos, e que os atrasos ocorrem principalmente no início, quando os principais elementos técnicos, sociais e ambientais ainda estão sendo definidos.
Obrecht enfatizou que fortalecer a comunicação precoce com as comunidades é um dos fatores importantes para encurtar o ciclo. As empresas devem priorizar a construção de boas relações sociais, estabelecendo confiança desde o início por meio de consultorias especializadas. Ele sugeriu que as comunidades sejam tratadas como parceiras do projeto, mantendo uma comunicação transparente e contínua, com interlocutores fixos sempre que possível, e informando prontamente sobre os avanços para reduzir incertezas. Além disso, os processos de licenciamento e autorização continuam sendo os principais desafios para a viabilidade dos investimentos em mineração. Segundo dados do Instituto de Engenheiros de Minas do Peru (IIMP), o desenvolvimento de um projeto de mineração pode exigir entre 200 e 400 licenças e autorizações. Obrecht observou que alguns países já adotaram o modelo de "balcão único", que centraliza o processamento de todas as formalidades e as distribui para os órgãos competentes, tornando o processo mais flexível e eficiente. Ele afirmou que, se o Peru implementasse um sistema semelhante, o tempo de aprovação poderia ser reduzido pela metade.
Ele também mencionou que uma definição técnica sólida desde o início, especialmente no que diz respeito à tecnologia de processamento, disposição de rejeitos e design de infraestrutura da mina, é igualmente crucial. Alterações posteriores nas decisões iniciais podem desencadear novas avaliações ambientais, prolongando significativamente o ciclo de desenvolvimento e até exigindo novos estudos de impacto ambiental, adicionando anos ao projeto.
De uma perspectiva global, a indústria de mineração está promovendo modelos de desenvolvimento mais integrados, visando aumentar a eficiência e a sustentabilidade de longo prazo desde as fases iniciais dos projetos. Obrecht afirmou que a mineração precisa adotar uma visão mais integrada e colaborativa desde o início, com inovação não apenas na tecnologia, mas também na busca por novas formas de planejamento, comunicação e tomada de decisões antecipadas.
Durante o mesmo seminário, María Paz Núñez, vice-presidente global de serviços de projetos da Ausenco, participou de um painel intitulado "Abrindo caminho para a diversidade e igualdade de gênero no setor de mineração peruano".
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