De acordo com pt.wedoany.com-Na abertura da Semana de Engenharia da Argentina, em 3 de junho, a mineração tornou-se o tema central do evento, um setor que vive um processo de aceleração semelhante ao vivido pela energia não convencional de Vaca Muerta há uma década. O evento registrou um número recorde de participantes, com centenas de profissionais reunidos para ouvir autoridades governamentais, líderes empresariais e consultores sobre as últimas novidades da mineração, um dos três motores econômicos do país. O grande interesse da comunidade técnica coincide com a véspera do Dia do Engenheiro, data que homenageia o primeiro engenheiro civil argentino, Luis Augusto Huergo, formado em 1870. As projeções oficiais indicam que o setor gerará uma grande demanda por engenheiros na próxima década.

O presidente do Centro de Engenheiros da Argentina, Pablo Bereciartúa, apresentou dados sobre o impacto econômico da mineração. Ele afirmou que, para cada dólar exportado pelo setor, são gerados nove dólares para a economia argentina. A área impulsiona diretamente cerca de 180 projetos e aproximadamente 300 empresas em sua cadeia de valor, sustentando atualmente cerca de 40 mil empregos registrados, número que deve triplicar nos próximos anos, impulsionado pelo lítio e pelo cobre. Bereciartúa destacou que o impacto industrial já ultrapassou os limites das áreas de mineração, com a cadeia de valor se espalhando para províncias não mineradoras, como Córdoba e Santa Fé, revitalizando sua capacidade de metalurgia. Ele também mencionou que a aplicação de tecnologias de ponta melhorará o uso dos recursos hídricos, liberando mais água para consumo humano e produção de alimentos.
Atualmente, a mineração já representa quase 7,5% do total de ingressos de divisas da Argentina. Em várias províncias do interior, o setor responde por quase 80% de suas exportações totais. O CEO da Glencore Argentina, Martín Pérez de Solay, afirmou que a mineração tem potencial para transformar a realidade do país, e já começou a mudar a realidade de províncias como Jujuy ou Catamarca, onde mais de 70% das exportações vêm do lítio. Esse crescimento não se reflete apenas nos preços, mas também no aumento do emprego, da mão de obra e do desenvolvimento local.
Líderes empresariais também alertaram sobre os desafios logísticos durante o evento. Pérez de Solay advertiu que o desenvolvimento de infraestrutura e de fornecedores locais são dois obstáculos ainda não resolvidos. Ele destacou que financiar estradas públicas ou projetos de energia por meio de empresas mineradoras é menos eficiente, pois o custo de oportunidade do capital dessas empresas inclui fatores que muitos projetos de infraestrutura não consideram, reduzindo a competitividade dos projetos.
O Secretário Nacional de Mineração, Luis Lucero, classificou a atual combinação de fatores positivos como "sem precedentes", atribuindo-a às decisões corajosas tomadas sob a liderança do presidente Javier Milei. De acordo com estimativas oficiais da Secretaria de Mineração, as exportações de lítio devem atingir US$ 7,4 bilhões até 2030, quando a Argentina se tornará o terceiro maior exportador global de lítio, atrás apenas da Austrália e da China.
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