De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um programa de computador chamado Calculadora Biomassa_Compensa, que quantifica a pegada de carbono evitada e os potenciais créditos de carbono no tratamento de resíduos orgânicos da indústria alimentícia. Baseada em dados científicos, a ferramenta visa ajudar empresas, engenheiros e pesquisadores a avaliar impactos ambientais, permitindo calcular rapidamente créditos de carbono e gerar relatórios de sustentabilidade sem necessidade de conhecimento técnico especializado.
A equipe de pesquisa é do Laboratório de Bioengenharia, Água e Tratamento de Resíduos (BIOTAR) da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, coordenada pela professora Tânia Forster Carneiro, em colaboração com o professor Hudson Giovani Zanin da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC). Os participantes incluem os pesquisadores da FEA Manoel Victor Frutuoso Barrionuevo, Josiel Martins Costa, Larissa Ampese, Henrique Ziero, Eric Gama Felix da Silva da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e Reinaldo Cesar do Centro de Estudos de Engenharia de Petróleo (CEPETRO).

O desenvolvimento da calculadora surgiu da grande quantidade de dados acumulados no laboratório. A coordenadora, professora Tânia Forster, durante a orientação de dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre a valorização de resíduos orgânicos, acumulou dados experimentais envolvendo bagaço de maçã, casca de laranja, casca de jabuticaba, casca de cambuci, bagaço de cerveja, resíduos avícolas e sementes de açaí. A calculadora visa centralizar esses dados dispersos, fornecendo avaliações rápidas e precisas para restaurantes, pequenas indústrias alimentícias ou empresas agroindustriais, como a conversão de biomassa em biogás e energia elétrica ou térmica. O primeiro resultado foi a Calculadora Biomassa2Biogás, usada para calcular o potencial energético dos resíduos; posteriormente, foi expandida para a Calculadora Biomassa_Compensa, focada especificamente na pegada de carbono e nos potenciais créditos de carbono gerados pelo tratamento da biomassa.
Usando a ferramenta, o usuário seleciona o tipo de resíduo e insere a quantidade processada (em toneladas), obtendo uma estimativa das emissões evitadas, expressa em equivalentes de dióxido de carbono (CO₂), juntamente com uma estimativa dos créditos de carbono gerados. O sistema atualmente abrange bagaço de maçã, casca de laranja, cana-de-açúcar, sementes de açaí e subprodutos da indústria do café. A calculadora também oferece comparações, como o equivalente a quantos carros parados, quantas horas de voos internacionais compensadas ou quantas árvores precisam ser plantadas para alcançar o mesmo efeito. Os pesquisadores destacam que o tratamento de resíduos e a conversão do metano gerado em energia produzem créditos de carbono significativamente maiores do que o reflorestamento tradicional. O metano é o principal biogás produzido pela decomposição anaeróbica de matéria orgânica em aterros sanitários, e seu potencial de aquecimento global em um horizonte de 100 anos (GWP100) é cerca de 29 vezes maior que o do CO₂.

A Calculadora Biomassa_Compensa se diferencia de outros softwares no mercado por seu foco específico: biomassa residual da indústria alimentícia e agrícola, como cascas, sementes e bagaços. A ferramenta pode servir como um guia para empresas tomarem decisões sobre investimentos em infraestrutura de tratamento, ajudando-as a descobrir a viabilidade econômica de práticas ambientalmente sustentáveis. Os pesquisadores estimam que, com o avanço da regulamentação ambiental e o aumento das restrições ao descarte de resíduos orgânicos em aterros, haverá um boom de investimentos em créditos de carbono, tornando tecnologias como compostagem e digestão anaeróbica fundamentais. Atualmente, as Calculadoras Biomassa_Compensa e Biomassa2Biogás estão disponíveis publicamente no site do Laboratório BIOTAR. Para empresas interessadas em personalizar o software ou expandir a análise, o licenciamento da tecnologia é coordenado pela agência de inovação Inova Unicamp.
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