Representante do GSI do Brasil pede aceleração na aprovação do marco legal de segurança cibernética
2026-06-10 09:35
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De acordo com pt.wedoany.com-Marcelo Malagutti, representante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Brasil e membro do Conselho Nacional de Segurança Cibernética (CNCiber), afirmou durante um seminário sobre atualização regulatória setorial realizado em São Paulo no dia 9 que o país precisa acelerar a aprovação do marco legal de segurança cibernética para reduzir a vulnerabilidade de infraestruturas críticas e estabelecer um mecanismo nacional permanente de coordenação diante dos avanços tecnológicos, como inteligência artificial e computação quântica. Essa avaliação foi feita por Malagutti durante evento realizado pelo escritório de advocacia VLK Advogados.

Malagutti foi direto: "Já estamos muito atrasados". Segundo ele, o texto atualmente em elaboração é resultado da fusão entre as propostas discutidas no CNCiber e as iniciativas legislativas em tramitação no Congresso, com o objetivo de construir uma proposta mais abrangente e com maiores chances de aprovação. Ele afirmou: "Ao combinar 95% do texto deles com 95% do nosso, formamos um texto 130% melhor."

Um dos principais argumentos apresentados pelo representante do GSI é a velocidade das mudanças tecnológicas. Para ele, a legislação não pode tentar prever todos os cenários futuros, mas precisa estabelecer princípios capazes de orientar o país diante de tecnologias ainda em evolução. Malagutti destacou especialmente a inteligência artificial, a computação quântica e as tecnologias computacionais emergentes, que intensificam a urgência do debate regulatório. Citou como exemplo o avanço dos computadores quânticos e seu potencial impacto sobre os atuais sistemas de criptografia: "Hoje leva milhares de anos, mas em três ou quatro anos pode levar apenas minutos para descriptografar." Ele alertou que isso representa um risco para as informações estratégicas atualmente armazenadas — que podem ser capturadas agora e exploradas no futuro, quando novas capacidades computacionais estiverem disponíveis.

Outro ponto central do debate foi a necessidade de garantir segurança jurídica para atividades de teste de vulnerabilidades e testes de penetração. Malagutti observou que pesquisadores e profissionais de segurança frequentemente temem ser responsabilizados por atividades legítimas de teste em sistemas, devido à falta de um marco regulatório claro. Assim, a proposta prevê que a futura agência nacional de segurança cibernética tenha competência para regulamentar essas atividades, estabelecendo critérios e parâmetros específicos. Para o representante do GSI, a legislação deve definir diretrizes gerais, deixando os aspectos mais detalhados para regulamentações posteriores.

Os participantes do seminário concordaram com a necessidade de criar uma agência nacional para coordenar as políticas de segurança cibernética. O moderador do debate, Rony Vainzof, destacou que, diferentemente de outras agendas regulatórias, o próprio setor privado está defendendo a criação de uma estrutura nacional. Ele exemplificou que um único evento já seria suficiente para explicar a necessidade de toda essa discussão, e apontou que a legislação nacional produziria um efeito cultural semelhante ao ocorrido após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ajudando as empresas a obter recursos para investir em segurança digital. Na discussão sobre o desenho institucional, o diretor-executivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gustavo Borges, explicou os motivos que levaram a maioria dos membros do CNCiber a considerar a agência como potencial sede da futura entidade nacional. Segundo ele, as principais necessidades identificadas no debate foram a criação de um órgão independente, de baixo custo e com capacidade de ação rápida. Borges afirmou que a Anatel já possui uma estrutura sólida, cobertura em todas as unidades federativas, experiência regulatória, participação internacional e histórico na proteção de infraestruturas críticas, atuando na área há mais de dez anos e contando, desde 2019, com regulamentação específica de segurança cibernética para o setor de telecomunicações. Ele enfatizou que a discussão não envolve apenas telecomunicações, mas toda a infraestrutura que sustenta o ambiente digital brasileiro, incluindo fibras ópticas, cabos submarinos, satélites e redes móveis.

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