Cadeia produtiva de peixes no Brasil movimenta R$ 11 bilhões por ano e atrai novos investimentos
2026-06-11 17:27
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De acordo com pt.wedoany.com-A criação de tilápia no Brasil mantém crescimento anual de 10%, impulsionando o país ao quarto lugar no ranking global de produtores de pescado. A presidente da Aquishow 2026, feira voltada ao setor, Marilsa Patrício Fernandes, afirma que o Brasil pode se tornar o maior produtor mundial de pescado em 10 anos ou menos.

Cadeia produtiva de peixes movimenta R$ 11 bilhões por ano, atraindo novos investimentos

O diretor da entidade do setor de peixes do estado de São Paulo (PeixeSP), Emerson Esteves, informa que a produção de tilápia no Brasil era de 280 mil toneladas há dez anos e hoje se aproxima de 800 mil toneladas. A entidade representa o setor no estado de São Paulo e é organizadora da Aquishow, realizada este ano em Uberlândia (Minas Gerais). Sinais de crescimento foram observados no evento: grupos nacionais de produção de peixes e fabricação de ração mencionaram planos de construção de novas fábricas, e algumas empresas multinacionais já obtêm receita maior com ração para peixes do que com ração para aves. A entidade projeta que, em 2026, a receita e a produção da piscicultura brasileira crescerão novamente 10% em relação ao ano anterior. Toda a cadeia produtiva, incluindo criação de peixes, ração e medicamentos, já movimenta R$ 11 bilhões por ano. A edição atual da Aquishow conta com mais de 100 expositores e espera receber 7 mil visitantes.

Um dos atrativos do setor é o retorno sobre o investimento. Marilsa Fernandes destaca que a criação de tilápia tem retorno rápido, com recuperação do investimento em 8 meses, devido ao curto ciclo de crescimento, de apenas 6 a 8 meses. Essa área tem atraído cada vez mais cooperativas, permitindo que pequenos produtores se mantenham competitivos. O setor também apresenta tendência de consolidação, com grupos maiores e até fundos estrangeiros investindo, segundo observação de Esteves. Por exemplo, a Tilabras Aquicultura conta com participação do fundo Ocean 14 Capital, que investiu € 10 milhões em 2022; a Fisher Piscicultura tem participação do fundo holandês Aqua Spark. Importantes players do setor avícola, como Copacol, Lar, Coopavel e Avivar Alimentos, também começaram a atuar na venda de tilápia.

A tilápia representa 70% da produção aquícola brasileira, mas o setor enfrenta desafios. No ano passado, o Brasil firmou um acordo comercial com o Vietnã: o Brasil exporta carne bovina para o Vietnã e importa produtos de peixe do país. Empresários consideram o acordo injusto, pois o Vietnã não produz carne bovina, enquanto o Brasil é um importante produtor de tilápia. Segundo Esteves, os impactos já são visíveis: em abril, o Brasil importou 2 mil toneladas de filés de peixe do Vietnã, o equivalente a 6 mil toneladas de peixe inteiro; de janeiro a maio, as importações acumuladas de filés de tilápia ultrapassaram 5 mil toneladas, volume equivalente a toda a produção da importante região de Santa Fé do Sul, que gera mais de 3 mil empregos diretos. Na abertura da Aquishow 2026, Esteves fez um apelo ao secretário de Pesca e Aquicultura, Édipo Araujo, para que a questão seja tratada como tema nacional.

Enquanto o governo federal não define uma posição, o setor negocia com os estados para reduzir a carga tributária e aumentar a competitividade. Atualmente, o produto vietnamita é R$ 6 mais barato por quilo do que o brasileiro. Santa Catarina foi o primeiro estado a aumentar a alíquota do ICMS sobre peixes importados, seguido pelo Paraná e Minas Gerais, e São Paulo e Pernambuco aderiram na semana passada. O governador de São Paulo elevou em 7% a alíquota para todos os pescados, diferentemente de outros estados que focaram apenas na tilápia. O setor da tilápia também acompanha as discussões na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que pode classificar a tilápia como espécie invasora. Esteves alerta que, se isso ocorrer, o Brasil perderá a certificação e não poderá exportar para o mercado dos EUA. Atualmente, o Brasil exporta 4% de sua produção de tilápia, sendo os EUA o principal cliente. No ano passado, as tarifas de Trump reduziram os embarques no primeiro mês, mas depois o fluxo se normalizou. Esteves acredita que a demanda do mercado americano por filés frescos de alta qualidade continuará, e outros países do continente americano ainda não têm capacidade para atendê-la.

O diretor do Departamento da Cadeia Produtiva de Pesca e Aquicultura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Roberto Imai, destaca que o déficit comercial brasileiro de peixes ainda é de cerca de US$ 1 bilhão, e o consumo per capita anual de peixe subiu de aproximadamente 6 kg há 30 anos para cerca de 10 kg atualmente. Ele enfatiza que o Brasil possui vantagens naturais incomparáveis, mas enfrenta obstáculos estruturais como o "custo Brasil", incluindo altas taxas de juros, questões trabalhistas, burocracia ambiental e carga tributária, e defende maiores investimentos em tecnificação e mecanização para competir com mercados de baixo custo como o Vietnã.

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