Brasil detém 38,4% do mercado de TI da América Latina e deve atingir US$ 67,8 bilhões em 2025
2026-06-16 09:34
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De acordo com pt.wedoany.com-O Brasil mantém sua posição como o maior mercado de tecnologia da América Latina e continua sendo a décima maior economia global em investimentos em Tecnologia da Informação (TI). Essa conclusão é do segundo estágio do relatório "Estudo do Mercado Brasileiro de Software 2026 – Panorama e Tendências", elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) com base em dados da IDC.

Data center brasileiro Mercado de tecnologia da informação

Em 2025, o mercado de TI brasileiro atingiu US$ 67,8 bilhões, com investimentos em software e serviços totalizando US$ 35,4 bilhões. Esse volume coloca o Brasil à frente de qualquer outro mercado latino-americano, concentrando sozinho 38,4% de todos os investimentos em tecnologia da região. O México, em segundo lugar, detém cerca de 24% do mercado latino-americano, enquanto os demais países ficam bem atrás. Para a ABES, esse resultado reforça o papel do Brasil como principal destino de investimentos em tecnologia na região. Jorge Sukarie Neto, consultor e responsável pela pesquisa da associação, afirma que o Brasil continua sendo uma das dez maiores potências tecnológicas do mundo e segue como o principal mercado da América Latina.

O estudo revela mudanças importantes na agenda tecnológica das empresas brasileiras. A inteligência artificial generativa e os agentes de IA tornaram-se o topo das prioridades empresariais para 2026. A pesquisa mostra que 53% dos executivos listam a inteligência artificial generativa e os agentes inteligentes como principal foco de investimento, seguidos por segurança da informação e segurança em nuvem (41%), inteligência artificial e aprendizado de máquina (35%), infraestrutura em nuvem (24%) e big data e análise (24%). Atualmente, 40% das empresas afirmam estar investindo em agentes de IA, e outros 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses. Isso significa que mais de 70% das organizações brasileiras já investem ou planejam investir nessa tecnologia em curto prazo. No entanto, o estudo mostra que os resultados financeiros ainda não acompanham totalmente as expectativas. Sukarie observa que muitas empresas registram ganhos de produtividade individual, mas ainda enfrentam dificuldades em medir o retorno empresarial concreto.

O estudo identificou uma série de gargalos que limitam a expansão da IA nas empresas brasileiras, relacionados principalmente à qualidade e governança de dados. Questões envolvendo processamento, organização, disponibilidade e gestão de dados são consideradas os maiores desafios para escalar projetos de IA. Outros obstáculos incluem a modernização de sistemas legados, governança e controle de projetos, escalabilidade das iniciativas, falta de profissionais especializados, necessidade de dados confiáveis para treinar e executar modelos, além de questões de segurança cibernética e conformidade regulatória. Segundo a ABES, os desafios deixaram de ser meramente técnicos e passaram a envolver processos, governança corporativa e qualificação profissional.

Na divulgação do estudo, um ponto que chamou a atenção foi a posição relativamente modesta da infraestrutura de data centers nas prioridades dos executivos entrevistados. De acordo com a pesquisa, entre cinco prioridades, a infraestrutura de data centers ficou em quarto lugar, com 24% dos investimentos. Sukarie destaca que a pesquisa entrevistou diretores de TI (CIOs) e líderes de tecnologia de empresas usuárias, e não operadores de infraestrutura. O foco dos entrevistados está mais na contratação de serviços do que na capacidade de construção própria. Os compradores empresariais tendem a ver os data centers como uma camada de serviço já disponível no mercado, concentrando sua atenção em aplicações de IA, segurança, produtividade e transformação digital. Essa constatação ocorre em um período de forte expansão dos investimentos em infraestrutura digital no Brasil, impulsionada pela corrida pela capacidade computacional de IA, pelo crescimento dos serviços em nuvem e pela demanda por processamento de dados.

O estudo identificou 41.613 empresas atuando no segmento de software e serviços no Brasil. A estrutura do setor é altamente fragmentada: 62,5% são microempresas, 31,8% são pequenas empresas, 3,4% são médias e 2,3% são grandes. Micro e pequenas empresas juntas representam 94,3% de todo o ecossistema nacional. Por atividade, as empresas de serviços têm a maior participação, com 37,6%, seguidas por distribuidores de tecnologia (33,3%) e desenvolvedores de software (29,1%).

O setor financeiro continua sendo o principal consumidor de software e serviços no país. Em 2025, bancos e instituições financeiras representaram 25,4% do mercado nacional, com investimentos de US$ 8,99 bilhões. Em seguida, vêm serviços e telecomunicações (US$ 8,61 bilhões, 24,3%), indústria (US$ 6,92 bilhões, 19,5%), varejo (US$ 3,53 bilhões), setor público (US$ 2,44 bilhões), petróleo e gás (US$ 1,34 bilhão) e agronegócio (US$ 670 milhões). Os três primeiros setores concentram cerca de 70% do total de investimentos em software e serviços no Brasil.

Outra tendência destacada pela ABES é a gradual desconcentração dos investimentos em tecnologia. Embora a região Sudeste ainda concentre 62,37% do total nacional, sua participação está diminuindo. Em 2012, a região concentrava 65% dos investimentos. No mesmo período, a participação da região Sul passou de 12% para quase 16%, e as regiões Norte e Nordeste também registraram crescimento. Para a associação, isso reflete o amadurecimento do ecossistema digital brasileiro e a expansão da transformação digital para além dos grandes centros econômicos tradicionais.

Para 2026, a IDC prevê uma expansão dos investimentos mais seletiva. As projeções de crescimento são: 5,3% para TI, 3,9% para telecomunicações e 4,6% para TI empresarial. Espera-se que as empresas priorizem projetos com retorno mais rápido, produtividade mensurável e benefícios operacionais concretos, mantendo a inteligência artificial como principal motor da transformação digital.

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