De acordo com pt.wedoany.com-O Rio Grande do Norte, no Brasil, busca se posicionar como um novo polo de infraestrutura digital voltado para inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de dados, com uma estratégia focada em abundância de energia renovável, localização estratégica para interconexão internacional, disponibilidade de terrenos e incentivos fiscais para o setor de data centers.

Esse movimento ocorre em meio a discussões entre estados e o setor privado, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), sobre incentivos fiscais para data centers. A Associação Brasileira de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) estima que o Brasil pode receber até US$ 92 bilhões em investimentos em infraestrutura de computação até 2031, mas a entidade considera que a carga tributária ainda reduz a competitividade do país.
O secretário da Fazenda do Rio Grande do Norte, Álvaro Bezerra, detalhou essa estratégia durante um webinar promovido pela Brasscom sobre atratividade de investimentos em infraestrutura de computação e data centers. Segundo o secretário, o governo estadual criou um comitê para estudar medidas que aumentem a competitividade do estado na atração de investimentos, incluindo a atração de cabos submarinos, a estruturação de parcerias público-privadas (PPPs) para a construção de data centers e a coordenação de incentivos fiscais para o setor. Bezerra afirmou que o comitê está analisando quais ajustes o Rio Grande do Norte precisa fazer para viabilizar a instalação de grandes data centers. No entanto, até o momento, o estado não possui projetos contratados ou investimentos confirmados, e as iniciativas ainda estão em fase de estudo e modelagem.
A Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Norte (Sefaz-RN) apoia a aprovação de incentivos fiscais para data centers no âmbito do Confaz. Bezerra considera que a competição por investimentos nessa área é global e que o Brasil precisa oferecer condições semelhantes às de outros países. Ele também enfatizou que a atração de data centers deve ser vista como parte de uma agenda de competitividade nacional. A posição da Sefaz-RN está alinhada com a avaliação da Brasscom, que aponta que o custo de construção de data centers no Brasil é 30% a 35% maior do que em mercados concorrentes, sendo os impostos estaduais, especialmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), um dos principais fatores de perda de competitividade. A proposta em discussão no Confaz visa reduzir a carga tributária sobre equipamentos e infraestrutura de data centers.
Ampliar a participação do estado na infraestrutura de interconexão internacional é outro ponto central. Atualmente, os sistemas de cabos submarinos do Brasil estão concentrados principalmente em Fortaleza. O governo do Rio Grande do Norte avalia que sua localização geográfica pode ajudar a atrair novos projetos, já que o estado está situado no ponto do território brasileiro mais próximo da Europa e da África, característica vista como um ativo para a economia digital. O secretário afirmou que o governo estadual está trabalhando com comitês relevantes para promover a instalação de cabos submarinos localmente.
A energia renovável é a principal aposta do governo estadual. Segundo Bezerra, o Rio Grande do Norte gera atualmente muito mais energia do que consome, com destaque para a energia eólica. Ele afirmou que a geração de energia do estado é quatro vezes maior que seu consumo interno. Com o crescimento da demanda por eletricidade impulsionado pela expansão da inteligência artificial, regiões que combinam energia limpa, disponibilidade de terrenos e condições de interconexão terão vantagem na atração de investimentos.
Uma das opções em estudo é a adoção do modelo de PPP para viabilizar a construção do primeiro grande data center no estado. A proposta prevê que parte da capacidade computacional seja utilizada por órgãos públicos estaduais, gerando demanda inicial para o projeto e impulsionando sua viabilidade econômica. Bezerra afirmou que o governo estadual está estudando como desbloquear a atração do primeiro grande data center por meio de PPPs, mas ainda não há cronograma definido ou anúncio de parceiros.
Esse movimento do Rio Grande do Norte ocorre em um contexto de forte expansão dos investimentos globais em infraestrutura digital, impulsionada pelo crescimento da inteligência artificial. A estratégia do estado combina fatores-chave como energia renovável, terrenos disponíveis, proximidade de rotas de conexão internacional e apoio institucional. O desafio é transformar essas vantagens potenciais em projetos concretos, integrando-se ao novo mapa geográfico da infraestrutura digital brasileira.
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