MSC suspenderá serviço entre Porto de Montevidéu, no Uruguai, e a Costa Leste dos EUA
2026-06-18 17:10
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De acordo com pt.wedoany.com-A empresa de navegação Mediterranean Shipping Company (MSC) notificou o Terminal Cuenca del Plata (TCP) e as autoridades portuárias sobre a suspensão de um serviço operado no Porto de Montevidéu.

A decisão interrompe a rota Montevidéu-EUA, um serviço semanal que conecta a Costa Leste dos Estados Unidos. Segundo o veículo local Búsqueda, a rota passará a fazer escala no Rio de Janeiro para cargas de importação e a embarcar cargas de exportação em Santos. Em 2025, o serviço gerou 14.764 operações para o TCP, ocupando a oitava posição no volume de movimentação do terminal. A decisão foi comunicada como temporária, mas a justificativa da empresa de navegação aponta novamente para o problema crônico dos altos custos operacionais em Montevidéu.

Esta retirada de serviço é o mais recente de uma série de sinais negativos para o porto uruguaio. No último ano, a MSC já transferiu parte de suas operações para Navegantes, no Brasil, e redirecionou cargas de transbordo do Paraguai para Buenos Aires, onde também possui terminal próprio. A conectividade marítima depende do número de serviços regulares que incluem Montevidéu em suas rotas; cada redução de escala diminui as opções para importadores e exportadores, eleva os custos de alternativas logísticas e enfraquece a posição do porto como plataforma regional.

Dados oficiais da Administración Nacional de Puertos (ANP) do Uruguai mostram a deterioração. Em 2024, o Porto de Montevidéu movimentou 634.506 contêineres; em 2025, o número caiu para 479.392, uma redução de 24,5% em um ano. Nos terminais especializados em contêineres, a queda foi maior. O TCP movimentou 466.795 contêineres em 2024 e 331.437 em 2025, uma redução de quase 29%. O golpe mais severo ocorreu no transbordo, atividade-chave para o papel regional do porto. Segundo dados da ANP, os contêineres sob regime de transbordo caíram de 355.412 em 2024 para 182.915 em 2025, uma redução de quase 49%. Esses números refletem a preocupação de operadores, exportadores e agentes de navegação: Montevidéu não apenas perdeu volume próprio, mas também as cargas regionais que sustentavam sua posição como hub logístico do Rio da Prata. Nos primeiros quatro meses de 2026, houve uma recuperação parcial. A ANP informou que, de janeiro a abril, o Porto de Montevidéu movimentou 166.625 contêineres, acima dos 154.163 do mesmo período de 2025, mas ainda 24% abaixo do registrado entre janeiro e abril de 2024. No TCP, o contraste é mais evidente: de janeiro a abril de 2026, o terminal especializado movimentou 116.409 contêineres, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, mas 30% a menos do que nos primeiros quatro meses de 2024.

A discussão envolve múltiplos fatores. As empresas de navegação apontam custos operacionais e condições contratuais, os exportadores questionam tarifas que consideram elevadas, e os operadores logísticos alertam para a perda de cargas regionais de transbordo, especialmente cargas paraguaias que se deslocam para Buenos Aires ou portos brasileiros. Também há problemas de infraestrutura e operação. Após a paralisação da única draga operada pela ANP e atrasos nos serviços de dragagem e manutenção, a dragagem voltou a ser foco de debate. Para competir com portos regionais, Montevidéu precisa de calado adequado, previsibilidade e capacidade de receber grandes navios sem restrições. Além disso, surgem dificuldades em outras áreas da atividade portuária: frotas de pesca estrangeiras reclamam da interrupção do fornecimento de diesel pela Administración Nacional de Combustibles, Alcohol y Portland (ANCAP) do Uruguai, gerando preocupações com possíveis desvios de navios e perda de serviços relacionados ao porto.

O contexto político e empresarial também influencia. O TCP, concessionado à Katoen Natie com participação minoritária da ANP, está em plena expansão enquanto negocia um novo acordo coletivo com os funcionários. A empresa afirma que a expansão aumentará a capacidade e a eficiência, mas os clientes focam no custo total de operar em Montevidéu em comparação com alternativas regionais. A questão central é se o porto conseguirá reter e recuperar as cargas de transbordo. Montevidéu busca atrair cargas do Paraguai, sul do Brasil e Argentina, estratégia que exige tarifas competitivas, serviços frequentes, calado adequado, estabilidade trabalhista, eficiência operacional e regras claras. A retirada da rota Montevidéu-EUA não representa, por si só, uma crise irreversível, mas confirma uma tendência já alertada: quando as empresas de navegação reajustam suas rotas, comparam custos, prazos, terminais próprios, produtividade e conectividade.

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