De acordo com pt.wedoany.com-A Viter, divisão agrícola da Votorantim Cimentos, anunciou sua entrada no mercado de fertilizantes foliares, com planos de expansão por meio de um investimento de R$ 300 milhões e do lançamento de novos produtos. O diretor-geral da divisão, Bruno Marin, revelou essa série de ajustes estratégicos em entrevista à AgFeed.

O grupo centenário Votorantim diversifica cada vez mais seus negócios e hoje ocupa uma posição de destaque em diversos setores comerciais no Brasil. Sua unidade Votorantim Cimentos vê a agricultura como uma extensão natural. Marin afirmou que, em 1977, a descoberta de que o calcário de uma fábrica, por ser rico em magnésio, não era adequado para a produção de cimento, mas poderia ser usado para correção do solo, levou o grupo a expandir seus negócios para insumos agrícolas. Grande parte dos solos brasileiros apresenta alta acidez, o que dificulta a absorção de nutrientes, gerando uma demanda crescente por calcário.
A marca Viter foi criada em 2020, quando a Votorantim Cimentos começou a focar em "fertilizantes mistos", combinando o produto com outros nutrientes. O calcário tem função de correção do solo, além de fornecer macronutrientes como cálcio e magnésio. Com os fertilizantes mistos, a empresa oferece cálcio, magnésio e enxofre. Com base nessa lógica, a empresa anunciou uma nova rodada de ajustes estratégicos. Desde maio, dois novos produtos, chamados Adapte e Maximize, começaram a ser comercializados para aplicação foliar. A marca também passou por ajustes, mantendo apenas a marca de calcário Itaú, fundada em 1977.
Agricultura brasileira Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal) mostram que o volume de negócios em 2025 permaneceu praticamente estável, em 61,3 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 59,6 milhões de toneladas do ano anterior. No entanto, na Viter, as vendas do ano passado cresceram 13% em relação a 2024. Marin afirmou que a empresa é a única produtora de calcário com presença em quase todo o Brasil, detendo cerca de 10% do mercado. A área tratada com produtos Viter equivale a 6 milhões de hectares. Ele mencionou que, desde 2023, as vendas se tornaram difíceis devido a pressões de custos e problemas de crédito. Diferentemente dos fertilizantes tradicionais, o calcário não é afetado pelas flutuações de preços internacionais e pelas taxas de câmbio, sendo 100% nacional e com alto custo de frete. Para 2026, Marin não faz previsões para o desempenho da Viter, mas acredita que todo o mercado de calcário pode não crescer, ou até mesmo cair. Ele avalia que há uma demanda reprimida por calcário no Brasil, que deveria consumir 80 milhões de toneladas.
Apesar dos desafios, a Viter continua investindo. Segundo Marin, o investimento total entre 2020 e 2026 é de R$ 300 milhões. Uma das iniciativas foi a inauguração de uma nova fábrica em Nobres, Mato Grosso, em dezembro de 2025, que, conforme noticiado pela AgFeed, aumentou a produção anual de calcário agrícola em mais de 20%, passando de 740 mil para 900 mil toneladas. Em 2024, uma fábrica foi inaugurada em Itaperuçu, Paraná, com capacidade anual de 600 mil toneladas de calcário agrícola. Somando-se à fábrica já existente em Rio Branco do Sul, a Viter atingiu uma capacidade instalada total anual de 1,5 milhão de toneladas de calcário agrícola no Paraná. No mesmo ano, a empresa expandiu a capacidade de produção da fábrica em Itapeva, São Paulo, aumentando a produção anual de insumos agrícolas em 260 mil toneladas; esta fábrica também produz fertilizantes complexos misturados com outros nutrientes.
Bruno Marin, que assumiu a diretoria-geral em fevereiro deste ano, afirmou que planeja expandir geograficamente os negócios, vendo oportunidades em mercados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia. Ele destacou que o grande espaço para crescimento está na entrada no mercado de nutrição vegetal e foliar. A empresa já lançou dois produtos e tem uma série de outros para os próximos anos, com o objetivo de tornar a Viter um player importante no mercado de fertilizantes foliares. Ele reconhece que a participação inicial ainda é baixa, mas acredita que em 5 anos haverá um crescimento significativo, com resultados mais estáveis e expressivos. Ele revelou que a participação nesse mercado envolve não apenas produtos nutricionais, mas também biológicos, sem fornecer mais detalhes.
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