De acordo com pt.wedoany.com-O estado de Minas Gerais lançou o Plano de Ação Climática de Minas Gerais (Plac-MG), com a meta de atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, e busca transformar sua rica biodiversidade e estoque florestal em ativos econômicos. O secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lyssandro Norton, destacou que o estoque florestal é um ativo econômico estratégico, e que a proteção dos ecossistemas ajuda a garantir serviços ambientais essenciais para a produção agrícola, geração de energia, abastecimento de água, atividades industriais e outros setores-chave.
Norton acredita que a valorização do estoque florestal abre novas oportunidades de negócios por meio da bioeconomia e do turismo natural, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais e atração de investimentos em soluções baseadas na natureza. O estado abriga três biomas brasileiros fundamentais – Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga – e fornece água para as principais bacias hidrográficas do país, o que eleva o valor estratégico de seus ativos ambientais. O programa estadual "PRA Produzir Sustentável" visa transformar passivos ambientais em oportunidades de desenvolvimento, promovendo recuperação ecológica, geração de renda rural e economia de baixo carbono.
Igor Braga, assessor da presidência da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), afirmou que o estado possui a maior área de florestas plantadas do país, cerca de 2,3 milhões de hectares, além de 1,3 milhão de hectares de florestas de conservação, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e excedentes de vegetação nativa, que superam as exigências mínimas do Código Florestal. Braga enfatizou que o potencial econômico do estoque florestal reside na remuneração por serviços ecossistêmicos, permitindo que proprietários rurais, comunidades e empresas recebam reconhecimento financeiro pela proteção de áreas nativas. Ele também destacou a necessidade de o setor público estabelecer garantias legais, sistemas de medição e mecanismos de certificação de serviços ecossistêmicos.
O mercado de carbono é visto como uma das principais formas de lucrar com a conservação da biodiversidade, mas tanto o governo estadual quanto a Amif apontam que não é o único caminho. Minas Gerais pode avançar na economia da biodiversidade, por exemplo, por meio da remuneração por serviços hídricos, onde a proteção de nascentes e zonas de recarga de aquíferos reduz os custos de tratamento de água e aumenta a segurança hídrica. Braga acredita que o estado precisa construir políticas públicas que transformem atributos ambientais em ativos econômicos mensuráveis, auditáveis e negociáveis, incluindo um cadastro ambiental robusto, sistemas de monitoramento territorial, incentivos à recuperação ecológica, integração com o Programa de Regularização Ambiental (PRA) e as Cotas de Reserva Ambiental (CRA), além de maior integração entre as políticas ambientais, agrícolas e de desenvolvimento econômico.
Norton afirmou que fortalecer os serviços ecossistêmicos que sustentam a produtividade agrícola é uma das vias para a geração de riqueza na economia da biodiversidade, juntamente com a expansão da bioeconomia baseada em produtos da sociobiodiversidade, a ampliação de programas de pagamento por serviços ambientais, o ecoturismo e a valorização de cadeias produtivas sustentáveis. Ele destacou que Minas Gerais possui mais de 3,6 milhões de hectares de passivos ambientais a serem recuperados, o que pode impulsionar uma cadeia econômica envolvendo coleta de sementes nativas, produção de mudas, assistência técnica, projetos, monitoramento ambiental, fornecimento de insumos e geração de empregos rurais. O estado antecipou as metas do Pacto pela Mata Atlântica, mobilizou 374 municípios e ultrapassou a marca de 7 milhões de mudas de espécies nativas plantadas.
Iniciativas como o programa "Produtor de Água" visam incentivar medidas de conservação, recuperação florestal e proteção dos recursos hídricos. Norton enfatizou que a biodiversidade não deve ser vista como uma limitação ao crescimento, mas como uma oportunidade para geração de empregos, inovação e negócios sustentáveis. Ele mencionou que, dos 20 milhões de hectares de pastagens na região, cerca de 8 a 12 milhões apresentam algum grau de degradação, e a recuperação produtiva e ambiental dessas áreas representa uma enorme oportunidade para criar empregos, atrair investimentos e aumentar a produtividade agrícola. Braga acredita que os ativos ambientais são a principal vantagem competitiva de Minas Gerais nas próximas décadas, incluindo recursos naturais, estoques de vegetação nativa, serviços ecossistêmicos e áreas protegidas.
Para transformar o potencial em resultados, o governo estruturou o programa Plac-MG, que orienta ações de redução de emissões e adaptação em 12 setores-chave, e conta com a Plataforma MRV Climático para monitorar o cumprimento das metas. Essa plataforma é a única ferramenta estruturada no Brasil dedicada exclusivamente ao monitoramento da implementação de planos de ação climática estaduais. Das 199 metas monitoradas, 170 já estão em execução ou concluídas, o que representa 85% dos objetivos. Norton afirmou que esse sistema fortalece a governança pública e aumenta a confiança dos investidores, criando condições para expandir o financiamento climático e os mercados ambientais. O porta-voz da Amif destacou que o plano fornece um arcabouço para a agenda ambiental, e que o setor de florestas plantadas está diretamente alinhado com a estratégia de descarbonização, como o "Programa Estadual de Florestas Plantadas" (Peaf), que visa ajudar a reverter a degradação de pastagens de baixa produtividade e convertê-las em florestas comerciais.
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