Presidente da Associação Espanhola de Energias Renováveis: Aprovação de projetos de biometano leva de 3 a 5 anos
2026-06-30 14:23
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De acordo com pt.wedoany.com-O presidente da secção de biogás da Associação Espanhola de Energias Renováveis (APPA), Laureano Parrilla, afirmou que a abertura para consulta pública do projeto de decreto real para promover o biometano é um sinal positivo para o setor, embora o documento atualmente defina apenas um quadro básico, sem resolver questões-chave como a certificação de excelência. Parrilla destacou que o decreto faz referência ao regulamento da União Europeia de 26 de janeiro de 2026 sobre a promoção da produção de biogás, que exige que os Estados-Membros envidem esforços contínuos para maximizar a utilização das infraestruturas existentes e eliminar potenciais obstáculos regulatórios.

O projeto propõe quotas mínimas anuais crescentes para gases renováveis no mercado de gás natural espanhol: 0,5% em 2028, 1,1% em 2029, 1,8% em 2030, 2,5% em 2031, 3,3% em 2032, 4,1% em 2033, 5% em 2034 e 6% em 2035. Parrilla salientou que esta meta é ambiciosa, mas que são necessários incentivos para alcançar os primeiros 6% da quota. De acordo com o calendário, com base numa capacidade instalada de 50 GW, seriam necessárias 30 fábricas em 2028 e 350 fábricas para atingir a quota de 6% em 2035. Atualmente, existem apenas 20 a 25 fábricas de biometano em Espanha, o que demonstra um compromisso político e nacional claro para impulsionar o desenvolvimento do setor.

Parrilla considera que o projeto não corresponde totalmente às aspirações do setor. O setor exige não apenas quotas e vários tipos de apoio, mas também a valorização do digestato e a clarificação da certificação de excelência social. Ele teme que o decreto possa tornar-se um novo obstáculo que aumente a burocracia na legalização de projetos ou entre em conflito com outras regulamentações. Parrilla salientou especificamente que o projeto estipula que, para novas instalações ainda não em operação, a certificação será aleatória. Atualmente, o setor de biometano em Espanha enfrenta graves obstáculos regulatórios, incluindo exigências rigorosas da administração pública, dificuldades de acesso e conexão, e o facto de a aprovação de projetos demorar de 3 a 5 anos. Ele alertou que, se estes obstáculos persistirem, os investimentos podem deslocar-se para outros países, uma vez que existe um risco real de fuga de investimento quando os fundos de investimento veem que a aprovação de um projeto leva cinco anos.

Relativamente às dificuldades na implementação dos projetos, Parrilla apontou que a tecnologia do biometano é exigente, envolvendo a seleção do local, a distância adequada das cidades, a gestão logística, os pontos de acesso à rede de injeção de gás, bem como a gestão de resíduos e o escoamento do digestato. O processo de aprovação de projetos é longo, moroso e com padrões em constante mudança, enfrentando também oposição social. Algumas objeções são infundadas, como a alegação de que o biometano é cancerígeno, o que já foi cientificamente comprovado como falso. Ele considera que projetos com localização e design técnico adequados, a 1,5 km das cidades, são perfeitamente viáveis, mas exigem que os governos locais estejam dispostos a ouvir as explicações.

Parrilla enfatizou que as fábricas de biometano podem trazer múltiplos benefícios para a economia local: melhorar a eficiência do tratamento de resíduos, produzir corretivos orgânicos para melhorar os resultados dos agricultores, alcançar a independência energética das cidades, atrair desenvolvimento industrial e criar 6 a 14 postos de trabalho diretos. Ele apelou a Espanha para aprender com as boas práticas de países como França, Itália e Alemanha, concedendo incentivos equivalentes aos projetos de biometano. Parrilla concluiu afirmando que, sem biometano, Espanha não conseguirá alcançar a descarbonização e a transição energética, porque a rede elétrica já está a fazer o possível para eletrificar, e a parte que não pode ser eletrificada precisa ser resolvida através do biometano, e as redes e consumidores existentes já estão prontos para utilizar este gás.

Esta entrevista foi publicada na edição impressa nº 252 da revista "Energias Renováveis".

"Já nos habituámos a demorar de 3 a 5 anos para aprovar um projeto de biometano"

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