De acordo com pt.wedoany.com-O governo do Lesoto assinou um memorando de entendimento no valor de 6,2 mil milhões de dólares com a empresa norte-americana Convalt Energy para construir o primeiro centro de dados de IA do país, no distrito de Mokhotlong, que será alimentado por energia verde. De acordo com o memorando, os projetos complementares incluem 1,2 gigawatts de energia hidroelétrica, 4,6 gigawatts de capacidade solar e um sistema de armazenamento de energia por baterias de 4 gigawatts-hora.
Até ao final de 2025, a taxa de penetração da Internet no Lesoto era de apenas 48%, com um grave fosso digital entre áreas urbanas e rurais, e a taxa de desemprego jovem rondava os 30%. Em julho do ano passado, o governo declarou estado de calamidade nacional. Atualmente, este país da África Austral possui apenas dois centros de dados, que servem principalmente operações de telecomunicações e governamentais.

O centro de dados de IA deverá começar a ser construído em 2029 e, após a conclusão, será um dos maiores centros de dados da região, podendo integrar parte da infraestrutura de fibra ótica regional, impulsionando a transformação digital do reino. No entanto, este memorando de entendimento representa apenas uma manifestação de intenção, sendo ainda necessário concluir estudos de viabilidade e aprovações regulatórias antes de confirmar a construção.
O CEO da Convalt Energy, Hari Achuthan, afirmou que a empresa reorientou o seu negócio ao longo dos anos para fornecer soluções integradas de infraestrutura para setores intensivos em energia e orientados por inteligência artificial, desde o desenvolvimento de infraestrutura e fabrico avançado até infraestrutura de centros de dados. A Embaixada dos EUA no Lesoto declarou que o projeto ajudará o Lesoto a moldar a sua trajetória económica, estimando que as exportações dos EUA ultrapassem os 2 mil milhões de dólares.
O especialista em inteligência artificial Thabang Pinyane afirmou à revista que um centro de dados de IA pode reduzir a latência de serviços de hospedagem domésticos ou regionais, melhorando o desempenho de sistemas governamentais, serviços financeiros, plataformas educacionais e aplicações comerciais. O Lesoto é um país altamente montanhoso, o que tem dificultado a implantação de fibra ótica. No ano passado, o fornecedor norte-americano de Internet por satélite Starlink iniciou serviços no país. Pinyane considera que o Starlink e o centro de dados de IA são complementares, contribuindo juntos para a construção de um ecossistema digital mais robusto, ao mesmo tempo que criam oportunidades para investimentos em resiliência de rede e governação digital, através do suporte a uma maior hospedagem local de dados. Ela também salientou que a melhoria da Internet de alta velocidade dependerá ainda de investimentos em redes de fibra ótica, pontos de troca de Internet locais e infraestrutura de telecomunicações.
Pinyane acrescentou que, para aproveitar plenamente estas vantagens, o Lesoto deve investir simultaneamente em literacia digital, educação STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), acesso acessível à Internet, programas de apoio à inovação e políticas que garantam que as comunidades rurais não sejam deixadas para trás. Ela afirmou ainda que, se implementado de forma eficaz, o acordo pode reforçar a segurança energética, acelerar a transformação digital e posicionar o país como um novo interveniente no ecossistema tecnológico e de IA em África.









