Araymond, da França, apresenta solução de fabricação local para usinas solares flutuantes

2026-07-03 14:07
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De acordo com pt.wedoany.com-A Araymond, empresa francesa especializada em soluções de montagem e fixação, apresentou um novo conceito para a construção de usinas solares flutuantes durante a feira The smarter E, realizada em Munique de 24 a 26 de junho. O conceito central é fabricar os flutuadores diretamente no local do projeto.

Chamada de Neluma, a solução utiliza uma micro-fábrica móvel instalada em contêineres marítimos, que pode ser transportada para perto do corpo d'água onde a usina solar será construída. Quentin Rabut, diretor da linha de negócios de energia solar flutuante da Araymond, afirmou que o conceito se baseia em uma observação simples: em vez de transportar os flutuadores, é melhor fabricá-los diretamente no local de instalação.

A unidade de produção processa bobinas de alumínio em tubos de 6 metros de comprimento e 40 centímetros de diâmetro, que servem como flutuadores da plataforma. O processo foi desenvolvido com base na experiência da Araymond em tecnologias de conformação e fixação de metais, e a empresa, sediada em Grenoble e com mais de 160 anos de história industrial, adaptou essas tecnologias para o novo sistema. Os tubos são equipados internamente com bolsas de ar multicamadas infláveis, que fornecem flutuabilidade à estrutura. Segundo a empresa, uma equipe de 10 pessoas pode fabricar e montar o equivalente a cerca de 1 megawatt de capacidade solar flutuante por semana, o que representa aproximadamente 500 horas de trabalho por megawatt. A capacidade de implantação pode ser aumentada com a adição de mais equipes.

A principal vantagem deste modelo é a eliminação do transporte de estruturas grandes e pesadas, reduzindo assim os custos logísticos e a pegada de carbono do projeto. Rabut destacou que a fabricação local também reduz os investimentos iniciais e os custos operacionais, além de diminuir as emissões relacionadas ao transporte. O design do flutuador desenvolvido pela Araymond utiliza lastro parcial de água, ou seja, preenche parte dos tubos com água para aumentar a estabilidade. A empresa afirma que esta configuração pode suportar ventos contínuos de até 160 km/h e rajadas de até 220 km/h, ao mesmo tempo que reduz o número de pontos de ancoragem necessários em cerca de um terço. A ancoragem é um dos elementos mais caros em instalações solares flutuantes. A estrutura permite que os painéis solares sejam inclinados em 15°, facilitando a limpeza natural, reduzindo as necessidades de manutenção e melhorando a eficiência do uso da área ao ocupar a superfície da água de forma mais uniforme.

A Araymond, que já participou da instalação de mais de 22 gigawatts de usinas solares terrestres em todo o mundo por meio de suas soluções de fixação, planeja tornar a energia solar flutuante um dos seus principais focos de crescimento. A empresa iniciou sua primeira instalação industrial de demonstração em 2024 em Montmélian, no departamento de Saboia, na França, e atualmente afirma ter oito instalações em vários países. Na Europa, a empresa está focada em projetos solares flutuantes de vários megawatts e está em negociações com vários desenvolvedores para construir usinas em antigas pedreiras e outros corpos d'água, com os principais parceiros sendo entidades de gestão pública e operadores regulamentados.

Na Índia, a Araymond instalou uma unidade de demonstração de 57 quilowatts no reservatório da usina termelétrica Jindal Power, em Dhule. Este projeto piloto foi concluído em cerca de dez dias, estabelecendo as bases para o desenvolvimento de um portfólio de centenas de megawatts. No Brasil, a empresa está aplicando a tecnologia nos setores agrícola e agroalimentar, construindo instalações de médio porte em reservatórios privados de parceiros locais, com o objetivo de gerar eletricidade perto dos pontos de consumo, ao mesmo tempo que promove a conservação da água. Como parte de sua estratégia de expansão, a Araymond planeja estabelecer ecossistemas industriais locais em cada mercado, contando com fornecedores regionais de bobinas de alumínio e componentes metálicos, bem como empresas de EPC responsáveis pela execução dos projetos.

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