De acordo com pt.wedoany.com-O plano do governo da Colúmbia Britânica (B.C.), no Canadá, de adquirir apartamentos vazios e convertê-los em moradias populares é visto por especialistas em planejamento urbano como uma medida destinada principalmente a estabilizar o setor financeiro, e não a resolver o problema habitacional. Andy Yan, diretor do programa urbano da Universidade Simon Fraser (Simon Fraser University), destacou que a proposta pode sinalizar aos incorporadores e seus financiadores que o governo deseja estabilizar um setor em dificuldades.

Este plano dos governos federal e de B.C. tem recebido algumas críticas. O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o plano utilizará "instrumentos financeiros inovadores" como a forma mais eficaz de aumentar a oferta de moradias. Na semana passada, Carney disse que a abordagem central é "comprar a um determinado preço e depois diluir os custos de financiamento", mas os detalhes específicos (sobre se esses apartamentos serão alugados ou revendidos) só serão divulgados no outono. Carney e o premier de B.C., David Eby, afirmaram que o plano envolve a reforma de 2.200 apartamentos não vendidos, como parte de um plano habitacional maior de 5 bilhões de dólares canadenses para a próxima década.
Andy Yan afirmou que o anúncio deixou muitas perguntas sem resposta, incluindo o custo da aquisição, quais apartamentos serão comprados e por que o governo está agindo agora. Ele disse que o governo não tomou medidas semelhantes em meados da década de 1990, quando os níveis de apartamentos não vendidos eram semelhantes, mas na época a renda era mais compatível com os custos habitacionais. De acordo com dados da Canadian Mortgage Housing, em maio de 2026, havia 5.849 apartamentos não absorvidos em B.C., dos quais 4.376 estavam na região metropolitana de Vancouver, representando 75%. Yan observou que, em dezembro de 1995, esse número era de 3.331 unidades, e a população da região metropolitana de Vancouver era menor na época. Ele acredita que, desde então, os preços dos imóveis se desvincularam da renda.
Na semana passada, em uma coletiva de imprensa, Carney afirmou que, com o aumento das taxas de juros e a diminuição da demanda, os incorporadores estão "em dificuldades" e relutam em vender com prejuízo. Já a crítica de habitação do Partido Conservador de B.C., Linda Hepner, criticou o plano por ser "um desperdício do dinheiro dos contribuintes para apoiar artificialmente os incorporadores", sem conseguir resolver a crise habitacional. Ela acredita que as forças de mercado deveriam ter levado a uma queda nos preços, mas a intervenção do governo pode fazer com que os incorporadores relutem em reduzir os preços.
O plano também gerou questionamentos da União de Municípios da Colúmbia Britânica (Union of British Columbia Municipalities). A vereadora Jenna Stoner afirmou que, devido aos poucos detalhes fornecidos, os governos locais estão confusos e não sabem como o plano funcionará exatamente. Ela também observou que o governo provincial recuou em relação ao Fundo de Habitação Comunitária criado em 2018, cancelando retroativamente a mais recente chamada de recursos e suspendendo indefinidamente futuras chamadas, o que frustrou os governos locais.










