FecomercioSP impulsiona marco legal de cibersegurança no Brasil

2026-07-08 09:10
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De acordo com pt.wedoany.com-A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) está impulsionando um marco legal de cibersegurança voltado à proteção das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), o Brasil perde 100 bilhões de reais anualmente com fraudes digitais, tornando urgente a criação de uma regulamentação nacional de cibersegurança. A federação elaborou dez diretrizes para defender uma regulação equilibrada e eficaz, alinhada à realidade das MPMEs, que são as mais afetadas por esse tipo de crime.

A FecomercioSP acompanha continuamente os debates no governo federal e no Congresso, propondo medidas que fortaleçam a segurança digital sem comprometer a competitividade empresarial. Em 30 de junho, a federação participou de uma audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado Federal, que discutiu o Projeto de Lei nº 4.752/2025 (PL 4.752/2025). O projeto visa estabelecer um marco legal de cibersegurança, criar o Plano Nacional de Segurança e Resiliência Digital e alterar a Lei nº 13.756/2018. A FecomercioSP afirma que a cibersegurança se tornou um tema estratégico para o Estado, a sociedade e o setor produtivo, e por isso a entidade contribui continuamente com sugestões para a construção do arcabouço regulatório. O consultor de regulação digital da entidade e membro do Conselho Nacional de Cibersegurança (CNCiber), Rony Vainzof, destacou na audiência que, com o avanço da inteligência artificial (IA), a velocidade dos ataques digitais aumentou drasticamente. No passado, os criminosos precisavam de quase 25 dias para explorar uma vulnerabilidade; hoje, com a IA, isso pode levar apenas alguns minutos. Ele também revelou que menos de 1% das vulnerabilidades conhecidas são efetivamente corrigidas, e o custo anual global de incidentes e fraudes cibernéticas é estimado em 10,5 trilhões de dólares.

Vainzof enfatizou que o Brasil, ao mesmo tempo em que lidera a inovação tecnológica, torna-se um alvo devido ao baixo nível de maturidade na área e à falta de um órgão oficial de coordenação. Na 8ª Reunião Ordinária do CNCiber, realizada no final do ano passado, 20 entidades representativas aprovaram por unanimidade a proposta de um marco legal de cibersegurança e a criação de um órgão central de coordenação. Ele afirmou que o PL 4.752 está alinhado com a proposta do CNCiber. A FecomercioSP defende um marco transversal para organizar a cibersegurança, adotando uma abordagem baseada em risco, evitando impor encargos regulatórios desnecessários a sujeitos de baixo risco. Em 2025, a entidade apresentou uma proposta ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, sugerindo a criação de uma linha de crédito para MPMEs em condições favoráveis, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A federação também participa da Aliança Multissetorial Nacional de Cibersegurança, liderada pelo Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), e atua ativamente na criação da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e Defesa Cibernética Nacional (FrenCyber) no Congresso. Em junho deste ano, a entidade intensificou o lobby em Brasília em torno do projeto de lei de cibersegurança, reunindo-se com o ministro do GSI, Marcos Antônio Amaro dos Santos, o assessor parlamentar do GSI, Francisco de Oliveira Castro, o diretor do Departamento de Cibersegurança do GSI, Luiz Fernando Moraes da Silva, e o assessor especial do ministro, Marcelo Malagutti. Segundo a FecomercioSP, um relatório consolidando diversas sugestões será apresentado em breve.

A FecomercioSP entende que o marco legal de cibersegurança deve reduzir a insegurança jurídica, adotar uma abordagem baseada em risco, coordenar os órgãos reguladores para evitar sobreposição de competências, prevenir a dupla penalização e abranger incidentes cibernéticos que não envolvam vazamento de dados pessoais, como ataques de ransomware e DDoS. O marco deve priorizar a avaliação da maturidade das empresas, em vez de responsabilizá-las automaticamente apenas pela ocorrência de um ataque, e proteger a confidencialidade das informações críticas compartilhadas pelas empresas, alinhando-se às melhores práticas internacionais para aumentar a competitividade do Brasil. Quanto à proposta de criação da Agência Nacional de Cibersegurança, a federação sugere que ela seja responsável pela coordenação nacional, adote ações técnicas e preventivas, atue de forma complementar aos órgãos reguladores setoriais, ofereça um ponto único de contato em situações de crise, reduza a duplicidade regulatória e baseie sua atuação na cooperação, com sanções aplicáveis apenas em casos de negligência grave ou dolo.

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