Mauritânia seleciona três empresas para fornecer serviços de telecomunicações por satélite

2026-07-08 10:55
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De acordo com pt.wedoany.com-As autoridades da Mauritânia selecionaram recentemente, em caráter preliminar, três empresas para fornecer serviços de telecomunicações por satélite, com o objetivo de expandir a cobertura de rede e melhorar a qualidade dos serviços. Esta medida visa reduzir a exclusão digital no país através da tecnologia de satélite.

Mauritânia: três empresas selecionadas para fornecer serviços de telecomunicações por satélite

De acordo com dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em 2024, cerca de 55% da população da Mauritânia não utilizava a internet. A cobertura das redes 3G e 4G no país era de 78% e 73%, respetivamente, a taxa de penetração da internet era de 45,8% e a de telefonia móvel, de 83,2%. O concurso, lançado em janeiro de 2026, atraiu 13 empresas para adquirir os documentos de licitação, tendo sido recebidas 9 propostas. Algumas empresas concorreram a ambos os lotes.

O primeiro lote envolve a prestação de serviços móveis de comunicação pessoal através de sistemas de satélite em órbita geoestacionária, tendo a BRAINSAT e a VDM sido selecionadas, com propostas de 800 mil dólares e 50 mil dólares, respetivamente. A VDM terá de ajustar a sua proposta para corresponder à da BRAINSAT para obter a licença. O segundo lote é focado na venda de capacidade de satélite, tendo a BRAINSAT sido selecionada com uma proposta de 3 milhões de dólares. A operadora de telecomunicações mauritana Mattel também foi selecionada para este lote, com uma proposta atual de 6,5 milhões de ouguiyas (cerca de 163 mil dólares), que também necessita de ajuste. Caso a VDM e a Mattel não ajustem as suas propostas, o órgão regulador concederá as licenças aos concorrentes seguintes, sendo o próximo candidato para o primeiro lote a Guimi Multi Services, e a ordem para o segundo lote é Mauritel, Wigo e, em seguida, VDM.

A tecnologia de satélite é amplamente considerada uma solução para reduzir a exclusão digital em África, devido à sua capacidade de cobrir áreas rurais ou remotas onde a implantação de redes terrestres é difícil e dispendiosa. Na Mauritânia, os consumidores queixam-se frequentemente de problemas de cobertura, interrupções de serviço, velocidade de internet insuficiente e degradação da qualidade das comunicações, especialmente fora das grandes cidades.

Apesar das perspetivas promissoras, o projeto enfrenta múltiplos desafios. Em primeiro lugar, algumas das empresas selecionadas terão de ajustar as suas propostas para corresponderem ao melhor proponente para obterem a licença final, e a grande disparidade nas propostas financeiras introduz incerteza no cronograma de implementação. Em segundo lugar, o quadro regulatório precisa de definir claramente as condições de operação, as obrigações dos titulares de licenças e os mecanismos de supervisão. A expansão de operadores como a Starlink em África já levantou questões sobre proteção de dados pessoais, concorrência, participação local, proteção do consumidor, integridade da rede e responsabilidade operacional. Por último, o custo do serviço é um obstáculo central. De acordo com dados da UIT, em 2025, um pacote de internet móvel de 5 GB na Mauritânia representava 2,94% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita, enquanto a internet fixa representava 17,6%, sendo o limiar de referência internacional para acessibilidade de 2%.

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