Amazon solicita licença de gateway de satélite por 15 anos no Quênia em 2026

2026-08-22 14:10
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De acordo com pt.wedoany.com-A Amazon está avançando seu negócio de internet via satélite de órbita baixa, o Leo (Amazon Leo), na África por dois caminhos: construção de infraestrutura terrestre própria e parcerias com operadoras. Atualmente, esse mercado é dominado pela Starlink: até meados de 2026, a Starlink já cobria 26 mercados africanos, com cerca de 300 mil usuários. Diferentemente da estratégia da Starlink, focada em terminais de consumo, a Amazon concentra seus esforços mais no nível de infraestrutura de rede.

No Quênia, a subsidiária da Amazon, Amazon Kuiper Kenya Limited, solicitou uma licença de operadora de gateway internacional por 15 anos, para estabelecer estações terrenas de satélite e um centro de controle de rede; anteriormente, a empresa também solicitou uma licença de provedor de infraestrutura de rede. Esse gateway conectará a rede de satélite às redes terrestres e internacionais, constituindo a base para a expansão de capacidade. Na África do Sul, a Herotel será responsável pela instalação, atendimento ao cliente e operações de campo após o lançamento comercial do Leo em 2027. A Amazon também firmou acordo com a Vodafone para usar o Leo na conexão de sites 4G/5G remotos, modelo que pode ser estendido a mais mercados africanos por meio da Vodacom.

Operadoras como MTN, Airtel, Vodacom e Orange já utilizam satélites em alguns cenários, em complemento à fibra e ao micro-ondas, optando por comprar capacidade em vez de construir novas linhas terrestres, com base nos custos. O CEO da Airtel Nigéria, Dinesh Balsingh, afirmou na primeira mesa-redonda de mídia da empresa em 2026 que a Airtel já adota tecnologia de satélite em áreas onde a fibra terrestre não é viável. A Analysys Mason estima que, nesses mercados, o backhaul via satélite de órbita baixa pode reduzir o tempo de implantação de redes rurais em 40% a 60%. A Airtel também expandiu o uso de satélites para além do backhaul: em agosto, lançou o serviço satellite-to-mobile da Starlink na República Democrática do Congo (RDC), combinando cobertura via satélite com redes móveis terrestres para alcançar regiões inacessíveis à infraestrutura tradicional.

O grupo MTN posiciona o satélite como complemento, e não substituto. O vice-presidente sênior do grupo para o sul e leste da África, Gana e Sudão, Ebenezer Asante, afirmou: "O caminho para todas as tecnologias disruptivas, e o satélite não é exceção, é encontrar formas de cooperação". A MTN não vê as novas tecnologias como ameaça, mas exige que a regulação acompanhe o desenvolvimento tecnológico. O CEO e presidente do grupo, Ralph Mupita, declarou: "Os satélites não vieram substituir as redes terrestres; vieram complementá-las, especialmente em áreas remotas e águas onde a infraestrutura tradicional não chega. Na MTN, isso se reflete em três frentes: backhaul empresarial, banda larga residencial e conectividade direta ao dispositivo."

O cenário de maior valor comercial para satélites são as regiões onde o custo de expansão terrestre é excessivamente alto. Um estudo encomendado pela Amazon à Access Partnership estima que sistemas de satélite em órbita não geoestacionária (NGSO) podem economizar pelo menos US$ 10,3 bilhões em custos de infraestrutura terrestre para operadoras da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), além de gerar benefícios econômicos anuais de até US$ 16,9 bilhões. Esse número não é uma previsão de economia real, mas reflete a lógica de mercado que a Amazon visa: somente onde os custos de infraestrutura terrestre são suficientemente altos a capacidade via satélite se torna competitiva em preço.

O papel complementar dos satélites às redes terrestres também é limitado pela capacidade física. Estimativas do setor indicam que o mercado global de telecomunicações via satélite é de cerca de € 20 bilhões, representando apenas 1% a 2% do mercado total de telecomunicações. A Starlink já enfrentou essa limitação no Quênia: após esgotar a capacidade disponível, a empresa suspendeu temporariamente novos pedidos residenciais em vários condados. A constelação Leo da Amazon também precisará alocar capacidade onde há demanda, ofertando-a a preços acessíveis para operadoras, empresas e consumidores.

O preço é o principal obstáculo para o mercado de massa. Com base em dados do Banco Mundial, em 2023 o plano mensal de US$ 30 da Starlink representava cerca de 22% da renda nacional bruta (RNB) per capita mensal na África subsaariana. Até 2026, os preços variam claramente entre mercados: no Quênia há plano com teto de US$ 10; em Gana e Ruanda, planos ilimitados de US$ 28 a US$ 34; em novos mercados como Costa do Marfim, US$ 50 ou mais. O plano de US$ 10 no Quênia equivale a cerca de 5,5% da RNB mensal per capita, enquanto o plano de US$ 61,70 em São Tomé e Príncipe correspondia, em 2024, a 26,7% da RNB mensal per capita. A Amazon afirma que o custo de fabricação de seu terminal padrão Leo é inferior a US$ 400, com margem para redução no preço do hardware, mas ainda não divulgou preços de serviço na África. Se operadoras comprarem capacidade de satélite no atacado para backhaul de estações-base, os usuários poderão se beneficiar indiretamente por meio das redes móveis, sem precisar adquirir terminais próprios.

A concorrência entre fornecedores de satélite será decidida, em última instância, por quem conseguir se integrar melhor às redes de telecomunicações africanas. Com o aumento da capacidade em órbita baixa, as operadoras ganham novas opções em sites onde a fibra ou os links terrestres são lentos ou caros demais. Trabbia prevê que, com a maturidade do mercado, haverá consolidação entre fornecedores de satélite, o que pode reduzir as opções de capacidade e preço para as operadoras. Para a Amazon, a questão de seu gateway, parcerias e modelo de atacado conseguirem oferecer capacidade suficiente a custo aceitável determinará a posição real do Leo na África.

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