Conselho Químico dos EUA pede ampliação de isenções tarifárias para produtos químicos brasileiros
2026-07-08 11:06
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De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Americano de Química (ACC) afirmou que os Estados Unidos devem evitar uma resposta de "tarifas em larga escala" contra produtos brasileiros e pediu a ampliação das isenções tarifárias para produtos químicos. Jason Bernstein, diretor de Assuntos Globais de Comércio Internacional e Cadeia de Suprimentos do ACC, destacou em resposta por escrito que as tarifas abrangentes propostas "podem representar riscos para as economias de ambos os países". Ele também enfatizou que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) deve promover uma abordagem setorial direcionada por meio de iniciativas da indústria química com o Brasil.

O USTR decidirá em 15 de julho se impõe novas tarifas sobre produtos brasileiros. Atualmente, Washington considera duas propostas contra o Brasil: uma decorrente de uma investigação da Seção 301, que adicionaria uma tarifa suplementar de 25%; outra sobre trabalho forçado, que poderia acrescentar mais 12,5%. Segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil, essas duas medidas combinadas elevariam a carga tarifária cumulativa dos produtos afetados para 37,5%, um aumento de 27,5 pontos percentuais.

O ACC pede que o problema seja resolvido por meio de acordos setoriais, e não de tarifas abrangentes. Bernstein afirmou: "Uma resposta baseada em tarifas amplas tem o potencial de prejudicar as cadeias de suprimentos altamente integradas que beneficiam a manufatura dos EUA e nosso superávit comercial com o Brasil. [A abordagem setorial] será uma forma mais eficaz e duradoura de resolver diferenças tarifárias e barreiras não tarifárias, ao mesmo tempo que fortalece a produção e as exportações dos EUA." O ACC também instou o USTR a estabelecer um mecanismo de revisão para avaliar as consequências não intencionais das tarifas, além de manter e ampliar as isenções para matérias-primas e insumos críticos.

A posição do ACC baseia-se em dados comerciais: a indústria química dos EUA tem um superávit comercial de quase US$ 7 bilhões com o Brasil, que é o quinto maior destino das exportações químicas americanas. O ACC alerta que uma tarifa combinada de 37,5% aumentaria os custos de insumos para os fabricantes americanos, podendo levar as empresas a deslocar completamente suas fontes de compras dos EUA, prejudicando a tendência de trazer de volta a produção da Ásia utilizando matérias-primas brasileiras.

A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham Brasil) afirmou em audiência do USTR que tarifas adicionais poderiam "desviar o comércio em favor de concorrentes asiáticos, ampliando o déficit comercial dos EUA com esses países e enfraquecendo a influência econômica e comercial americana no Brasil". A organização destacou que, em cerca de 40% das categorias de produtos não isentas das tarifas suplementares, o Brasil fornece mais de 20% das importações dos EUA, incluindo produtos químicos, metais, minerais e preparações alimentícias. O presidente da Amcham Brasil, Abrao Neto, afirmou que ainda há espaço para os dois governos buscarem uma solução negociada, e que a imposição de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, impactando negativamente o setor produtivo e os consumidores americanos. A organização pede um "caminho concreto" para avançar nas negociações bilaterais, visando ampliar o acesso ao mercado em certas áreas, a cooperação em minerais críticos, a extensão da moratória da OMC sobre comércio eletrônico e a simplificação da análise de patentes no Brasil.

A CNI afirmou que as tarifas propostas podem afetar quase 4.200 produtos brasileiros, com exportações anuais de quase US$ 15 bilhões. Entre os principais produtos que podem ser impactados pela tarifa cumulativa de 37,5%, 62% são produtos intermediários usados como insumos de produção, dos quais 11 produtos o Brasil é o principal fornecedor no mercado norte-americano. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, dos 80 inscritos para falar na audiência do USTR, espera-se que 66 se oponham às medidas propostas.

A audiência pública é a fase final da investigação do USTR, e a decisão do governo dos EUA sobre a implementação dessas medidas está marcada para 15 de julho. Até o momento desta publicação, a Abiquim, associação da indústria química brasileira, não respondeu aos pedidos de comentário.

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